domingo, 21 de dezembro de 2014

O menino do Jô


Esse rapaz que defendeu o Bolsonaro no programa do Jô Soares realmente fez algo que pouca gente teria peito de fazer, que é levantar a voz contra o confortável sentimento de manada que domina o Brasil.

Se artistas, politicamente corretos, políticos de esquerda donos da razão e a dupla Chico&Caetano dizem algo, a tendência de quase todo brasileiro é sentir uma força magnética atuando alternadamente entre a testa e o queixo, balançando a cabeça positivamente enquanto a boca solta um "é!", quase um "bé" ou "mé"¨, de cabra vadia. Mas viajei agora, vamos em frente.

O Programa do Jô não tem uma platéia, mas uma claque que se acha inteligente. Em todo caso confesso que muito tempo afastado da influência da TV aberta me faz ser um desconhecedor do "resto" que se passa ali, só sabendo de algo nesses episódios esporádicos que terminam no YouTube, então não sei se os demais programas de auditório que imitam o Late Show são iguais ou não.

O fato é que o Jô metia o pau no deputado Jair Bolsonaro por conta de seu bate-boca em plenário com a deputada dona Maria do Rosário. O apresentador promovia ali aquela agenda cretina politicamente correta que todo "famoso" que se acha melhor do que os demais "famosos" só porque é feio ou sem graça demais para aparecer toda hora em fotos na praia no site EGO, faz: esquerdar e repetir frases de efeito e clichês esquerdopatas que qualquer professor de geografia de cursinho repete para encantar e molestar intelectualmente seus alunos.

Como a idade mental da média tanto da programação quanto do público televisivo brasileiro é até menor do que a de um adolescente-médio, Jô Soares fica parecendo um sério candidato ao Nobel que ainda não ganhou o prêmio por conta do preconceito europeu contra o país do carnaval.

Só que como deixei de prestar atenção no que o Jô tem pra dizer mais ou menos desde quando o Collor ainda era presidente, melhor partir para o que interessa que foi o que fez o "Menino do Jô", como ficou conhecido Renato Oliveira, o rapaz que contestou o apresentador defendendo o deputado.

Corajosa sua atitude, ainda mais sabendo que poderia ser exposto ao ridículo na TV. Além de corajosa, emblemática e inspiradora, porque agora mais pessoas saberão que não precisam ouvir certas bobagens calados, divergir e contestar é um direito (ainda) e deve ser exercido.

Só por isso desculpo duas coisas que me incomodaram: quando o apresentador perguntou para a platéia quem havia gritado "viva Bolsonaro", o rapaz só se identificou depois de "dedurado" pelos que estavam à sua volta. E mais adiante quando explicou porque defendia o deputado e o Jô disse que já tinha ouvido "muita bobagem na vida, mas essa supera a do Bolsonaro", o rapaz sorriu e aplaudiu junto com o resto da claque.

Sei lá o que eu faria ali, talvez a timidez e a pressão me fizessem sair correndo, não falar nada, pedir desculpas, rir compulsivamente, começar a cantar "Turn down for what?", juro que não faço idéia, mas sei exatamente o que gostaria de ter feito no lugar dele e o que adoraria se ele fizesse, que é permanecer sério e dizer que numa democracia a única bobagem é não exercer o direito de questionar. Levantar e abandonar o auditório seria a cereja no bolo.

O "Menino do Jô" talvez quisesse apenas gritar seu "Viva Bolsonaro" e ficar por isso mesmo e até terminou se saindo bem em certos momentos - tanto que virou febre na internet, já apareceu em vídeos e fotos ao lado do deputado e distribui email e telefone para contato em sua fanpage - mas não deixemos que a novidade nos empolgue demais.

A esquerda trabalhou muito para que nada que seja dissonante de seu discurso seja levado a sério. No Brasil a direita é ridicularizada, difamada e atacada pelo que diz e pelo que não diz. É preciso ser sempre melhor, mais preparado e não dar margem para que eles façam seu trabalho sujo.

O "Menino do Jô" saiu dali com um empate. Como se diz no futebol, ganhou um ponto da casa do adversário, o que é muito bom, mas para ganhar de goleada e vencer o campeonato todo mundo precisa treinar mais.

Agora pelo menos a direita já tem um time e torcida. E essa é a parte boa.

Link do vídeo do Renato Oliveira no Programa do Jô:https://www.youtube.com/watch?v=2kxNODYCLMA
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