sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Os caminhos do bolivarianismo


"Perspectiva clara de um imenso perigo: o Estado como anunciante hegemônico".

Ao comentar a nova rodada de proibições feitas pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), que agora avançou sobre anúncios de cervejas e vinhos, Carlos Andreazza, não só um editor de sucesso como escritor brilhante, resumiu perfeitamente o golpe que está em curso.

O bolivarianismo é uma doença que atinge as mesmas instituições: censura a imprensa, aparelha a justiça, manieta o legislativo, persegue a oposição, solapa a democracia.

Mas se os prejuízos são os mesmos, os métodos não. Como todo bom aplicador de golpes, o bolivariano lança mão de uma tática diferente em cada lugar. Assim como sujeito que vende ouro de tolo em Manaus vira corretor de terrenos no alto no Pão de Açúcar no Rio, o tiranete bolivariano e seu bando agem de um jeito na Venezuela e de outro no Brasil, sempre visando o mesmo objetivo: roubar recursos e liberdades que não lhes pertencem.

Na Venezuela foram plebiscitos manipulados, uma justiça comprada, a censura truculenta fechando canais de TV e negando papel para jornais serem impressos, o encarceramento de opositores.

No Brasil isso é um pouco mais difícil. O contingente manipulável é grande mas não tão homogêneo em todo o país, a imprensa é mais forte, o Congresso ainda que corrupto é menos subserviente, enfim, não há tanto espaço para manobras bolivarianas explícitas.

Daí que o PT encena de um lado a radicalização através de suas linhas auxiliares como PC do B, PSOL, UNE, CUT, MST, etc., pedindo plebiscitos bolivarianos, controle da mídia, imposto sobre heranças, relativização da propriedade, entre outras idiotices da agenda bolivariana, afinal, não custa tentar, vai que cola.

Mas de outro lado vai implantando um bolivarianismo fabiano, cooptando setores da economia e da sociedade, além de lançar bases de uma ditadura sutil e camuflada, mas que servirá ao mesmos propósitos dos brucutus de Nicolas Maduro: transformar o país numa extensão do partido. Tudo em nome do "bem" e da "justiça social".

Um desses movimentos é através da aplicação de um garrote financeiro na imprensa. Quem viu o ataque de Dilma Rousseff depois da eleição, "mandando" que cortassem os anúncios de estatais da Veja, pode vislumbrar bem isso.

O PT não só desvia o nosso dinheiro, mas também quer usá-lo para resolver por nós o que podemos ou não podemos ler.

Assim que faz 18 anos todo cidadão é responsável criminalmente pelos seus atos. Quando tem um filho, passa a ser responsável por ele até que este complete 18 anos. O Estado está pronto para nos punir caso algo saia "errado", cobrando, como sempre, mais e mais obrigações.

Mas este mesmo Estado nos trata como imbecis tuteláveis quando acha que pode decidir quais propagandas nós e nossos filhos podemos assistir. Não se iludam, não é "para o nosso bem", é pelo CONTROLE.

Um aviso lembrando que o cowboy do Marlboro morreu por doenças relacionadas ao fumo basta para que todo ser bípede com polegares opositores saiba que fumar mata.

Proibir anúncio de cigarro ou bebida ou brinquedo só tem um objetivo: transformar o Estado no maior anunciante, no dono das melhores contas e na entidade a ser bajulada caso esse ou aquele veículo de imprensa não queira fechar as portas.

Quem não se enquadrar, fecha.

Teremos vários diários oficiais trabalhando pelo poderoso de ocasião, numa censura econômica a favorecer mensaleiros e petropiratas, fora o resto.

O Estado babá assim agirá em duas frentes: numa, tratando o pagador de impostos como um infantilizado e noutra limpando as cagadas das fraldas bolivarianas usando o nosso dinheiro como papel higiênico.
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