segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Os cicloafetivos e a realidade


Fui criticar cicloativistas, pra quê? Acho que porque os chamei de chatos eles apareceram e só de sacanagem resolveram agir como chatos mesmo.

A bicicleta virou a maconha do sujeito de "vida saudável", deixou de ser algo pessoal para se transformar em luta e como toda luta, em encheção do saco alheio.

Claro que opções ao caos e à mobilidade urbana chinfrim brasileiros são mais do que necessários. Só que não dá pra sair por aí achando que isso aqui vai virar a Holanda só porque pintaram umas faixas vermelhas no chão, como Fernando Haddad, o prefeito Suvinil, e seu fã-clube pensam.

Bicicleta é um meio de transporte viável para pequenas distâncias. Serve muito bem pro cara ir na padaria, no curso de inglês, no trabalho caso este seja perto de casa. Mas não adianta pensar que alguém vai pedalar 30 km em ruas cheias de ladeiras, num calor senegalesco para ir ao trabalho, porque não vai.

Um sistema onde o bairro tenha ciclovias que sejam planejadas e integradas entre si pontualmente e ao transporte de massa no seu trajeto são uma opção racional, o problema é que dá trabalho e se tem coisa que governante brasileiro não gosta, ainda mais se for do PT, é de trabalho.

O que estão fazendo em São Paulo se chama trabalho porco, enrolação, mas os ciclochatos - ou como um leitor tão bem chamou ironicamente, os "cicloafetivos" - não querem nem saber. Quem criticar o Maníaco da Ciclofaixa é coxinha, burguês, egoísta que só quer andar de carro e pronto.

Se o Haddad fosse tucano estas mesmas pessoas que juram que ele está transformando São Paulo em Oslo só por causa de uma tinta vermelha no chão diriam algo assim:"Essas rubras faixas de diversão dos riquinhos são pintadas com o sangue dos oprimidos". E daí pra pior.

Porque não há preocupação com a viabilidade ou a utilidade da coisa, mas apenas em cumprir a meta de 400km de ciclofaixas, daí vale tudo. Como colocar, por exemplo, faixas em ruas estritamente residenciais, na periferia, impedindo o sujeito de estacionar seu Fusquinha na porta de casa. E dizem que isso é também para pobre? Pobre é bicicleteiro, chefe, hipster dos Jardins que anda em bicicleta mais cara que um Fusca é que é cicloativista.

Mais um pouco e vão pintar ciclofaixa até na pista de turfe do hipódromo do Jockey.

- Cavalos burgueses opressores, para o lado, aqui é nosso espaço.

Tudo em nome de quê? Da qualidade de vida? Não, de defender um ponto. O que vale é vencer o debate, impor a idéia, dane-se esse pequeno detalhe chamado realidade.
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