sábado, 3 de janeiro de 2015

A Branca de Neve negra


Outro dia vi uma brincadeira de uma página do Facebook dizendo que ainda iam fazer uma Branca de Neve preta. Cheguei a fazer troça com o pessoal do Twitter, mas quem mandou? Nestes tempo atuais o bizarro sempre vira realidade e nos leva à pergunta: será que algo ainda me surpreende?

É claro que devem existir várias explicações para a BRANCA de Neve aparecer preta: dívida histórica, opressão, ditadura da beleza caucasiana, gente saudosa da escravidão, reafirmação do orgulho de pertencer a uma raça que não existe (a menos que a raça só seja humana para brancos e amarelos), enfim, a montoeira de razões irracionais haverá de explicar isso com aquela presteza e ausência de dúvidas que só os absurdos permitem, já que não precisam se preocupar com a realidade.

Mas até para a palermagem dominante no país precisamos admitir que o nível do chorume está preocupante. Tenho quase certeza de que daqui a um tempo psiquiatras estudarão o Brasil e concluirão que sofremos uma epidemia de alguma doença mental ainda desconhecida.

Porque Branca de Neve negra, sinceramente. Seria para homenagear a neve cor de jambo que cai na África?

E não me levem a mal, eu também acharia bizarro o Rodrigo Hilbert no papel do Zumbi dos Palmares. Não se trata de "branco reclamando por perder espaço", não se trata de nada contra a atriz que vai se prestar a isso, se trata de achar algo completamente ridículo mesmo. Queiram ou não a Branca de Neve é branca (veja a que ponto chegamos), assim como o Negrinho do Pastoreio jamais será o Alemãozinho do Pastoreio.

Desse jeito ainda surge um Saci de duas pernas ou algum gênio decide que Dom Pedro I - dois casamentos, várias amantes, 18 filhos - na verdade era "homoafetivo" ou "Laerte" ou algo assim.

Por isso fica aqui um apelo: apenas parem.
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