segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Ex-ministros em atividade



Dilma não gosta só de desautorizar ministros, mas sente prazer especial em submetê-los à humilhação em praça pública. O que fez com Nelson Barbosa, do planejamento, um dia após a sua posse é apenas mais um exemplo disto.

A Soberana gosta de deixar bem claro quem é a dona do galinheiro, quem manda ali, em tudo. Consigo tranquilamente imaginá-la dizendo que "o ministério sou eu", como um Luís XIV das bananas ou atirando coisas em cima de homens que, pelo menos teoricamente, são a elite política e administrativa da nação.

Com Dilma não. Com a suposta presidenta - as urnas eletrônicas dizem que ela venceu, eu tenho minhas dúvidas - o sujeito precisa se conformar em ser um office-boy, um escravo de ganho, emprestado para ela pelo dono do partido para fazer o loteamento que garante a tal "sustentação" e dar a ilusão de um governo de coalizão.

Mas a verdade é que o ministro mesmo não manda nada. Talvez possa escolher a marca do pó que faz o cafezinho e a cor da tinta da caneta com a qual assina seus atos que na verdade são cumprimentos de ordens. Todo poder emana de Dilma, que só não sabe de nada quando convém. Ministros são quebra-molas entre uma obra superfaturada aqui e um elefante branco inacabado ali. Fazem parte do jogo, mas não devem se assanhar demais, sendo de bom tom ficarem nos seus devidos lugares.

Quem eles pensam que são? O Lula?

Nelson Rodrigues dizia que não há ninguém mais vago, mais irrelevante, mais contínuo do que o ex-ministro.

Dilma conseguiu superar a imagem rodrigueana, no seu - bastante ênfase nesse "seu" - ministério, todo mundo é contínuo, não precisa nem ser ex.
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