terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Algumas considerações sobre a eleição na Câmara dos Deputados ontem


1) Por um erro de cálculo do líder da oposição, Aécio Neves, o PSDB deixou de ser parte ativa de uma derrota fragorosa do PT, mas conseguiu formar um bloco de 100 deputados que é bem próximo em número da real base alugada de Dilma, que dispõe de 136 parlamentares que votaram em Arlindo Chinaglia. Esses 100, mais boa parte do eleitorado de Cunha podem salvar o Brasil do petismo. Tomara.
2) Se o PSB ficar na oposição, mas oposição mesmo e não teatro, o erro terá valido pelo menos para alguma coisa.

3) Fora da mesa diretora e fora de importantes comissões, o PT é um partido ananicado.
4) O Rio de Janeiro parece não ter se dado muito conta disso, mas com Eduardo Cunha termina um longo período - desde 1977, com Célio Borja - em que o estado não fazia um presidente da Câmara. Não é pouco.
5) A vitória de Eduardo Cunha é uma derrota pessoal de Dilma, uma derrota do PT e de brinde uma derrota de Anthony Garotinho, desafeto do presidente da Câmara.
6) Derrotas de Dilma, do PT e de Garotinho são vitórias para o país que presta.
7) Segundo na linha de sucessão, Eduardo Cunha é hoje um dos homens mais poderosos do país, não tanto pelo que faz normalmente um presidente da Câmara, mas pelo que ele poderá fazer num período tão turbulento, onde até petistas admitem que há risco de Dilma sofrer um impeachment. Cunha hoje tem aquilo que vale às vezes até mais do que poder, que é expectativa de poder.
8) Blogs sujos já começaram a espinafrar Dilma. Os mais educados insinuam que ela quer disputar uma vaga no brejo com a vaca, os menos educados pedem desculpas à vaca. No fundo o que ocorre é apenas uma "Operação Salva Lula", para dissociar o Poste do seu criador e tentar limpar a barra do Apedeuta para 2018.
9) Alckmin e Serra são lideranças do PSDB, mas não são a liderança que o PSDB precisa. Tomara para os tucanos que Aécio saiba se manter nesse posto até 2018, é a melhor chance do partido.
10) CPIs da Petrobras e do BNDES precisam ser instaladas e logo. O novo Congresso mais despetizado deve ser pressionado a não fazer o papelão do último, que abria CPIs somente para enterrá-las depois.
11) O tom do discurso de Eduardo Cunha na apresentação de sua candidatura foi muito bom. Disse que o PT não tem adversários, mas inimigos, algo que ele aprendeu na pele durante a campanha. Que não esqueça disso agora na presidência. A Câmara ganha em independência; os tempos de linha auxiliar do Planalto terminaram.
12) Regulação da mídia? Constituinte bolivariana? PL 122? Demais pautas do progressismo de galinheiro? Bye, bye. Chance zero a partir de agora. Aceitem que dói menos.
Paro por aqui, porque na política o 13 é realmente número de azar.
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