domingo, 8 de fevereiro de 2015

As feministas e e falta que um príncipe encantado faz

Acredite se quiser: uma professora resolveu ensinar para seus alunos que o príncipe encantado na verdade é um estuprador.
O homem e a mulher podem ser cis. Mas podem ser transgêneros. Os transgêneros podem ser travestis, transexuais, crossdressers, agêneras, bigêneras, genderfuck e outras tantas classificações, a lésbica ou o homem gay podem ser cis ou trans e por aí vai. Mais um pouco e a pessoa vai precisar de uma tabela periódica e uma calculadora científica para descobrir sua "orientação sexual".
Sou do tempo (é bom dizer isso) em que existiam homens, mulheres e gays (homens e mulheres) e o único problema relacionado a isso era realmente o preconceito que estes últimos sofriam na sociedade.
Resolver esse problema era relativamente simples: respeite seus direitos, cobrem suas obrigações, não permitam que sejam discriminados pela sua condição e pronto. Mas nada é simples para o "progressismo", então agora é necessário um cursinho para o cara descobrir onde ele se encaixa caso goste de se pegar com outro cara. Se disser simplesmente que é "gay" pode ofender alguém ou alguma cabra que é casada com alguém ou com outra cabra, sei lá.
E depois de xaropar a paciência de todo mundo com suas teorias sobre "gêneros sexuais" e "construções sociais", a turma progressista achou que as histórias infantis e contos de fadas estavam lá no canto delas muito reaças e resolveram intervir para planificar a zona.
Onde é que já se viu Sete "Anões"? São "pessoas de altura diferenciada"? Ou BRANCA de Neve. Por que não pode ser Afro-descendente de Neve? E que negócio é esse do príncipe beijar a princesa enquanto ela dorme? Quer dizer que ela é um pedaço de carne ali deitada pronta para ser usada sem o seu consentimento como se fosse um pernil de restaurante rodízio?
Por isso a "tia" Sheila enquadrou logo aqueles potenciais estupradores abaixo de 10 anos e começou a doutrinar as meninas para não dar mole para nenhum machinho opressor metido a príncipe encantado.
Imagino as demais aulas: oficina de cabelos no sovaco usando Bombril, marcha das vadiazinhas, luta de classes com tinta guache. Sim, porque LER as histórias a "tia" Sheila não leu, senão veria que tanto a Bela Adormecida quanto a Branca de Neve conheciam os príncipes que as beijaram, a Bela marcou um encontro com ele na floresta - talvez fugindo da madrasta feminista que detesta homem - e a Branca já estava apaixonada pelo príncipe, que inclusive cantou a canção deles antes de beijá-la num beijo de despedida que finalmente a acordou. Como se vê, beijos de amor, mas o que é essa insignificância burguesa perante a LUTA de classes, raças, sexos, o escambau, né?
Veja que coisa, estou aqui discutindo aspectos legais de um conto de fadas. Isso é esquerdopatismo: a discussão nauseante sobre o nada, a popular tempestade num copo d'água, e o feminismo é apenas uma das complicações da doença.
Mas o fato é que nem a Bela Adormecida nem a Eurodescendente de Neve deram queixa na delegacia, mas a partir de hoje aprendemos que "ninguém merece ser beijada" por um estranho enquanto estiver dormindo, nem se for numa história da carochinha, nem se for um príncipe, nem se for para salvar a vida da princesa.
A menos que seja uma princesa Bela Adormecida TRANS, porque nesse caso é bom perguntar pra "tia" Sheila, a "professora femininja", se o príncipe deve ou não beijar, porque vai que ele se recusa e ainda termina acusado de ser "homotransfóbico".
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