segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Esquerda caviar legítima


Pouca coisa me causa tanta alegria quanto a festa de entrega do Oscar, afinal, é sempre bom saber que o meu dinheiro torrado no cinema brasileiro com leis de incentivo fiscal rende um monte de estatuetas.
Alguém assistiu aquilo tudo ontem? Confesso que fiz como a maioria: leio notícias em portais e depois vejo o compacto. Se já não tinha saco para piadinhas sem graça, imagina para discursos da esquerda caviar hollywoodiana.
Patricia Arquette, vencedora do prêmio de melhor atriz coadjuvante e uma oprimida com patrimônio de 24 milhões de dólares, achou que a estatueta era um bong, que estava numa reunião das mulheres do PSOL e resolveu fazer um discurso feminista tão efusivo que transformou a Meryl Streep numa Marilena Chauí platinada. Só faltou berrar "odeeeeeeio a classe méééédia".
A militância engajada já começou antes da festa, com uma campanha movida pelas atrizes para que parassem de perguntar sobre seus vestidos. Adoraria ser um repórter numa hora dessas:
- Não pergunte sobre o vestido, pergunte sobre a mulher que está usando o vestido.
- Tudo bem, pode tirar o vestido então?
Passei a noite conversando com o pessoal do Twitter e tentando imaginar como seria o Oscar caso fosse no Brasil. A primeira conclusão é que o evento aconteceria no Circo Voador, patrocinado pela Petrobras e apresentado pela Preta Gil e o Laerte.
As categorias também seriam diferentes, pensei em algumas como:
- Melhor filme sobre seca, miséria e enaltecimento da pobreza.
- Melhor ator que faz sempre o mesmo personagem com nome diferente (nessa o Lázaro Ramos seria imbatível).
- Melhor atriz que só é notícia porque troca de namorado duas vezes por mês, é jurada no Faustão e se deixa fotografar até cagando para a revista Caras.
- Melhores efeitos especiais (essa o João Santana levaria com sua obra-prima "Transformando merda em votos").
- Melhor trilha sonora com batuque, sanfona e berimbau chata pra cacete que ninguém aguenta.
- Melhor bichinha alegórica estereotipada da cota de bichinhas alegóricas estereotipadas que todo filme e novela tem que ter.
- Melhor manicure-empregada-doméstica-cozinheira-de-lenço-na-cabeça-que-representa-o-estereótipo-de-mulher-do-povão.
- Melhor drama que todo mundo já conhece o final (esse ano o campeão seria "Roubaram, não sei de nada, a culpa é do FHC").
- Melhor filme conceitual com fotografia escura, insuportavelmente massante e que só prestou para chupar patrocínio estatal e pro diretor comer a atriz principal 10 anos mais nova.
- Melhor montagem (a vitória seria dos parceiros Lula, Dilma, José Dirceu, Delúbio Soares e Vaccari com o filme "O Esquema").
- Melhor cantora baiana de voz anasalada que imita a Daniela Mercury antes de virar fancha.
- Melhor diálogo em dilmês, categoria sempre vencida pela única falante de dilmês na face da Terra.
Exageros e piadas à parte, só na Zona Sul do Rio de Janeiro e na USP existe uma burguesia tão comunista quanto a de Hollywood. Matt Damon, Sean Penn, Benicio del Toro, entre outros, são desse tipo de gente que apoia 100% os regimes cubano e venezuelano, desde que não sejam obrigados a viver como um pobre coitado de Los Sitios, em Havana ou Petare, em Caracas. É um pessoal que possui tanta conexão com o mundo real quanto o Leblon do Manoel Carlos com o Rio de Janeiro do Furacão 2000.
Essa platéia do Oscar, com raras exceções, não passa de uma plenária do PSOL que toma banho, raspa o sovaco, ganha bem e veste Armani, Dior, etc. Mas a chatice é a mesma.
A maior diferença do Oscar pra uma plenária do PSOL é que depois do Oscar eles não vão comer farofa em boteco, é caviar mesmo.
Esquerda caviar legítima.
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