segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Rio-Niterói-Rio numa caravela de Cabral


O carioca que deseja atravessar a Baía de Guanabara para ir até Niterói ou o niteroiense que resolva fazer o caminho inverso têm duas opções para completar o trajeto: pegar seu carro (ou um ônibus) e atravessar a ponte Rio-Niterói ou tomar uma barca da Praça XV até a Praça Araribóia (ou vice-versa).
A ponte vive engarrafada e as barcas prestam um serviço digno do padrão Rio de Janeiro, ou seja, muito ruim e muito caro. Mas nada no Rio é tão ruim que não possa ficar ainda pior e nem tão caro que não possa aumentar.
Por isso as barcas agora passarão a cobrar 5 reais de passagem, isso mesmo, CINCO REAIS para que o cidadão tenha o privilégio de andar numa embarcação quente (o ar-condicionado só funciona na inauguração), entupida, lenta e que nem ao menos funciona 24 horas.
Aliás, o Rio de Janeiro é um lugar que cuida muito bem dos seus moradores, todo mundo tem que dormir cedo e ficar quietinho em casa depois da meia-noite - que nem a Cinderela - porque após esse horário não tem mais metrô, não tem mais barca e os ônibus circulam com intervalos de 5 em 5 horas.
Mas adiante.
Como muito bem me lembraram, Cabral chegou ao Brasil a bordo de caravelas que não eram propriamente rápidas. Só que mais de 500 anos se passaram e as barcas atuais conseguem ser mais lentas do que as primeiras caravelas que chegaram ao Brasil.
Enquanto as banheiras cabralinas atingiam uma velocidade de 22km/h, algumas barcas não chegam a 19km/h. O Brasil é o país que consegue andar para trás, um túnel do tempo a meros 5 reais por cabeça.
E você aí pode pensar: ah, então parem de usar as barcas e usem a ponte, assim vai doer no bolso e o serviço melhora.
Você se acha esperto, né? Mas tem gente muito mais esperta por aí, porque a CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), de propriedade das empreiteiras Andrade Gutierrez, Camargo Correa e Soares Penido também é dona da concessão da Ponte Rio-Niterói, um traço de 13 km de asfalto ruim que cobra 5,20 por carro de passeio na sua praça de pedágio.
Só a título de curiosidade, a CCR também vai operar o VLT que circulará pelo Centro do Rio de Janeiro, onde poderá oferecer para os cidadãos o mesmo padrão de péssimos serviços e preços imorais.
Assim fica completa a olimpíada da cafajestagem, uma verdadeira corrida de obstáculos onde você pode escolher ir de ponte, de barca ou de VLT, desde que não ligue em pagar muito por um serviço que preferiria não usar nem de graça.
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