terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Um safári na vagabundolândia


Neste dia 24 de fevereiro de 2015, Lula, o chefe do PT, resolveu convocar um ato em "defesa" da Petrobras, como se não fosse o seu próprio partido que estivesse saqueando e quebrando a empresa e como se no governo não estivesse um poste que ele mesmo ali instalou.
Mas exigir de Lula senso do ridículo, compromisso com a verdade ou coerência seria o mesmo que exigir que Cristina Kirchner parasse de usar botox.
Vamos adiante.
O ato foi realizado na sede da ABI (Associação Brasileira de Imprensa, mas que hoje se tornou a Assessoria e Buffet de Imprensa a serviço do PT), no auditório da entidade. Aqui um parêntese: você também não acha incrível como Lula, o grande líder das massas, só consegue encher auditórios fechados e com frequência controlada?
Passei na frente do local e lá me deparei com a fauna habitual destes eventos, bonobos da CUT, orangotangos do MST e chimpanzés ladrões de banana do PT. Minto, não quero ofender os primadas.
Em frente ao local estava toda aquela gente bronzeada que defende os trabalhadores desde que não precise trabalhar, com suas camisetas vermelhas, caras de ódio e berros de mostrar a úvula. Do outro lado da rua um grupo de opositores. A proporção era de uns 15 a 20 opositores para 200 a 300 petistas, separados por um cordão de isolamento da PM.
Vendo o nervosismo da companheirada logo pensei: é fome. Sabe como é, o preço da mortadela está nas alturas por causa da inflação e todos estavam ali desde cedo por obrigação profissional, então resolvi contribuir com o lanchinho deles e tirei algumas moedas da mochila, oferecendo-as.
- Toma, pra ajudar no lanche.
- Viado! Coxinha! Maconheiro!
Fiquei intrigado e ainda disse: ué, mas não é disso que vocês gostam? E mais xingamentos:
- Vai se f*, burguesinho de merda!
Uma senhora ainda me puxou pelo braço:
- Não joga moeda neles não!
- Não vou jogar não, senão eles se pisoteiam atrás do dinheiro. - Respondi.
Pensei ter entendido a razão da revolta, afinal eu oferecia apenas algumas moedas e a companheirada não trabalha com miudezas, além disso, anda difícil até comprar pãozinho com um ou dois reais e a grana das empreiteiras secou.
Ainda imbuído da missão de aliviar toda aquela raiva, tirei 20 reais da carteira e ofereci:
- Toma, acho que 20 melhora, né? - E mais xingamentos.
- Vou te cobrir de porrada, fascista! Gritou um, barba grisalha, barriga de quem não sai do rodízio, camiseta do PT meio curta mostrando o umbigo de bebum de boteco.
Um outro ainda urrou:
- Vou te matar, seu filho da puta!
Alguns tentaram romper o cordão de isolamento da PM para vir em minha direção e uma moça que estava comigo foi chamada de "puta, vadia, maconheira" e mandada "tomar no cu" (pelo visto a única donzela no país que não pode ouvir isso é a senhorita Dilma Rousseff).
Vendo aquele desespero ainda tentei solucionar a quizumba:
- Tudo bem, se 20 é pouco, vocês então aceitam cartão de débito ou crédito?
Nesse momento um deles tirou uma nota de 100 da carteira, brandiu-a no ar como um estandarte e me disse:
- Eu tenho dinheiro, coxinha, vem aqui você pegar um trocado.
- Claro, pode passar, é meu mesmo, você só está me devolvendo um pouco do que roubaram.
Ele rapidamente guardou a nota no bolso de volta e disse pra outros dois ao seu lado:
- Vamos cercar ele na saída lá na outra rua. - Note que ele disse "vamos", porque eles nunca dizem "vou", de ir sozinho. Risos.
Nessa hora um PM saiu do cordão, me pegou quase numa gravata e disse:
- Se você não for embora vou ter que te prender por perturbação da ordem.
- Mas eu estou na minha, eles é que estão nervosinhos.
Aí ele meio que me conduziu na boa até uma rua ao lado e disse:
- Cara, são uns 500 ali (eu não vi isso tudo, mas deixa), é mais fácil tirar você dali do que conter essa gente toda, vai por mim, esse pessoal é bandido, é tudo doente, se forem pra cima não vai ter como conter, vou te escoltar até a outra rua e você vai embora, senão vou ter que te recolher na viatura até acabar isso.
- Mas o bandido não sou eu.
- Eu sei, nesse caso só tenho 20 policiais aqui e sei, por experiência, que não dá pra conter essa gente, eles vão quebrar tudo e vão te pegar em bando porque são uns covardes.
Entendi o drama do cara (e o meu) e aceitei o conselho (não sou burro). Disse que iria embora, pedi desculpas pelo transtorno (dei xar a petezada enlouquecida) e desejei a ele um bom trabalho.
Na despedida, ele ainda me disse:
- Fica tranquilo, o que é deles tá guardado e falta menos do que faltava pra acabar essa farra.
Que as palavras desse PM sejam uma premonição.
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