segunda-feira, 30 de março de 2015

A diminuição do número de "vereadores federais"


O Senado é o representante dos estados, enquanto a Câmara dos Deputados representa o cidadão propriamente dito. Uma das reclamações mais constantes sobre nosso sistema representativo é que os deputados acabam agindo como "vereadores federais".
Já explico: ao invés de debater e legislar sobre os grandes temas nacionais, eles ficam trocando votos e apoios por emendas parlamentares para construir pontes, asfaltar estradas, reformar parquinhos nos seus "redutos eleitorais". O orçamento impositivo só remedia isso em parte, porque a necessidade de fazer política paroquiana para ser bem votado permanece.
Uma possível solução seria a criação de um determinado número de cadeiras que seriam disputadas nacionalmente. Funcionaria assim: o candidato Fulano concorreria às cadeiras nacionais e poderia ser votado por eleitores em qualquer estado da federação. Um carioca poderia votar num político gaúcho, um paulistano em um político amazonense, um baiano em um mato-grossense e assim por diante.
Candidatos de perfil mais ideológico poderiam concorrer assim sem precisarem virar "vereadores federais" e isso em nada prejudicaria seus estados, pois o Senado e as cadeiras convencionais serviriam para este fim.
Não seria nem novidade, apenas algo um pouco mais organizado, já que Getúlio Vargas em 1946 foi eleito senador por dois estados (RS e SP) e deputado federal por outros seis. Concordo que isso é um exagero, algo descontrolado, mas da forma sugerida talvez seja um jeito de elevar o nível dos debates e da atuação parlamentar na chamada "casa do povo".
Está aí outro debate interessante para quem deseja realmente uma reforma política e não uma forma de eternizar este ou aquele partido no poder.
Pena que aparentemente ninguém quer melhorar nada, apenas administrar o que está ruim.
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