quinta-feira, 19 de março de 2015

A picuinha dos "justos"


Ontem eu estava percebendo o comportamento do deputado BBB - Não sei como ele mesmo aguenta aquela vibe de briga de manicure em salão de travesti dele 24 horas por dia - e todos os defensores de uma tolerância histérica e raivosa que ele simboliza mas que não é nem de longe o único propagador.

A tal luta por "direitos" e pela "diversidade" e "tolerância" já deixou de ser só isso há um bom tempo. Hoje é apenas picuinha pura e simples. A intenção, na maioria das vezes, não é aceitação, mas chocar, só.

A cada "beijo gay" nessas novelas que mostram filhos matando pais, maridos traindo esposas, irmãos roubando irmãos, eles não comemoram a inclusão de uma de suas vacas sagradas no rol obrigatório de itens que compõem os folhetins televisivos, a saber: o núcleo pobre, a bichinha caricata, a vilã ou o vilão, a arrivista social, a empregada gostosa que namora o motorista, o bon vivant, o velho bonzinho, o velho que é o capeta e vai se redimir ao final, o casal fofo, etc. Agora tem o "beijo gay" em toda novela, pode perceber.

Mais um pouco e para inovar terão que mostrar um beijo gay entre um ganso e um avestruz. Mas divaguei.

Eles não comemoram o fato em si, mas o quanto o fato choca e irrita os outros. Perceba os comentários. "Vai ter beijo gay sim, engole", "delícia ver esses crentelhos esperneando com o beijo gay", "tooooma, família tradicional", rola até um "chupa Feliciano". Como se nota, o regozijo é com a afronta ao outro e não com a conquista em si.

O grande lance é chocar. Propor um livro infantil com um herói translesbocishermafrodita que fuma maconha, exigir professores travestis em escolas de adolescentes, coisas do tipo. A intenção é o embate em si e não os resultados deste.

Por isso é até chocante ver alguém dizer que um casal com os filhos é algo de "embrulhar o estômago", como já vi algumas vezes. Essa gente anda tão fixada na defesa de conceitos heterodoxos de família que esqueceu da tolerância e passou a odiar a família tradicional.

É o mesmo tipo de gente que se choca com um gay apanhando, mas que vibrou com um vídeo que circulou na internet que mostrava um pederasta surrando um homem desacordado. Os comentários por onde quer que o vídeo tenha sido mostrado são elucidativos: todos aplaudindo a "merecida surra" no "homofóbico", quando tudo não passou de crime de agressão propriamente dito. Mas depois do "você não entende o que o negro passou" virá aí o "ele é gay, ele pode".

Trocaram o sinal e só.

São tão intolerantes e raivosos quanto quem acusam. Soldadinhos da "luta de classes" transformada em guerra dos sexos.
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