quarta-feira, 18 de março de 2015

As Crônicas da Nárnia do PT

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Histórias sobre a "intolerância" da "classe média branca" se espalham pelo país para colocar o PT, partido cleptocrata e liberticida, como vítima de uma direita raivosa.

Uma dessas que ficou famosa foi de um cachorrinho "esganado" num supermercado só porque usava um lenço vermelho no lugar da coleira. Nenhuma filial do supermercado citado confirmou a história, mas, como sempre, a rede esgoto do PT na internet já se encarregou de espalhá-la.

E nessa mesma levada me enviaram a história de uma moça que foi "agredida" na rua só porque estava portando envelopes com a estrela do PT. O relato é elaboradíssimo, no entanto a moça "não lembra do rosto" do tal homem. Vamos às melhores partes.

A moça inicia o relato com um título que já fica perfeito para os compartilhamentos nas redes sociais "O ÓDIO QUE MOBILIZA O 15 DE MARÇO", assim mesmo, berrando em caixa alta como sói a todo militonto. Note que ela escreveu isso no dia 14, quando logicamente as manifestações do dia 15 ainda nem tinham ocorrido, mas já sabia que no dia seguinte hordas de coxinhas hidrófobos estariam na rua disseminando o ódio.

Mais à frente ela diz que atravessava um local muito movimentado do centro do Rio de Janeiro, carregando "no braço esquerdo próximo ao peito - como quem leva materiais para a escola - quatro envelopes brancos timbrados com a estrela do PT, bem pequena na parte superior". Singelo, não? O braço esquerdo, junto ao peito como a Chapeuzinho Vermelho voltando da escola, carregava pequenas estrelinhas do PT.

Continua ela: "sequer reparei que um homem se aproximava, homem branco, óculos na cabeça, calça jeans e uma blusa branca, por volta dos 40 anos. Quando noto sua presença ele já está com a mão indo direto na minha barriga mas com a intenção de puxar os envelopes, ele puxa o material e acaba por me dar um soco na boca do estômago, tudo cai no chão e ele sem respeito algum grita na minha cara jogando saliva pra tudo que é lado FORA DILMA".

A descrição é sob medida: branco, bem vestido, por volta dos 40, ora, só pode ser um machista de classe média que bate na mulher, defende os "bons costumes" e tem uma amante. O sujeito simplesmente dá um soco nela e grita "fora Dilma", salivando tal qual um cão raivoso da elite golpista.

Ela prossegue contando que ficou "pasma", mas só conseguiu recolher tudo que caiu enquanto o homem se afastava lentamente, sem que ninguém fizesse nada contra tal agressão gratuita, nossa heroína então apenas seguiu seu caminho.

Mais adiante ela segue o relato de sua aventura épica: "depois de chegar no meu destino, em menos de 5 minutos, compartilhei com alguns companheiros e companheiras o que havia acontecido, felizmente pude encontrá-las (os) e me tranquilizar".

Veja que coisa mais linda! A simples presença dos companheiros do PT, essa gente boa e do bem que só quer um mundo melhor e ninguém compreende, bastou para que ela ficasse calma. Nenhum companheiro quis ir procurar o cara, levar a mocinha numa delegacia, nada, o tempo é curto e a defesa do melhor governo da história do mundo não pode ficar em segundo plano.

Terminado o relato propriamente dito, a moça divaga: "não consigo compreender como as pessoas chegaram a este ponto". Nós contra eles, "vamos exterminar essa gente", "coxinhas na varanda gourmet", etc., não passa pela cabeça da lindona. "Chegamos a este ponto" porque essa elite não se conforma em andar do lado da empregada no avião.

O solilóquio de botequim continua: "o ódio virou o grande mobilizador dos que vão às ruas amanhã, um ódio de classe na minha opinião. O que eu passei foi hostil, mas o meu intuito não é criar uma vítima mas sim atentar a todas (os) para este fato político".

Veja, que criatura boa! Apanhou calada apenas para que as pessoas sejam alertadas para o "ódio de classe" (dos outros, claro), quase uma Joana D'Arc vermelha.

A baboseira ainda continua, mas nos comentários é que a coisa fica engraçada. Aflito, um companheiro da moça está decidido a levar o meliante que a agrediu para as barras da justiça, e começa seu trabalho de CSI cucaracha:

- Conseguiria identifica-lo? É importante ir à polícia, menina. Imagina se um maluco desses resolve sair armado pela rua. - Pergunta ele.

E ela:

- Não consigo lembrar direito do rosto. - Note que lembra dos óculos, da roupa, do lado para onde o cara andou e até da saliva do sujeito, mas rosto não, rosto é íntimo demais.

O detetive de fancaria não desiste:

- Se tiver comércios com câmeras ali próximo, talvez, a polícia, se tiver boa vontade em investigar, possa identificar o agressor. - Essa polícia opressora a serviço dos patrões pode servir para algo e ajudar a resolver o crime.

Ela não se dá por vencida:

- Mas era dentro, não tem câmera, perguntei pro segurança do parque depois. - Ela até queria fazer algo, mas não dá, companheiro, compartilha o relato aí e para de perguntar.

Só que o Sherlock das bananas está decidido:

- Eu digo do lado de fora. Pegar as filmagens de comércio do lado da rua da direção de onde ele veio e da rua para onde ele se dirigiu. - Ah, agora ele solucionou o crime!

Que nada:

- Nem vou correr atrás disso, na boa, eu não quero que isso se prolongue, sabe? Postei no intuito de comunicar, avisar o que acontece todos os dias com nós militantes.

Veja que a guerreira vermelha está com a faca e o queijo na mão: um machista branco de classe média para ser exibido em desfile pela cidade e apedrejado pelos justos, mas isso seria "prolongar a história", então ela, mui desapegadamente, apenas comunica e avisa ao mundo o que acontece TODOS OS DIAS com os pobres militantes do PT que só querem um mundo de pelúcia e torneiras de Nutella.

Nesse momento Aslan deu um rugido e eu voltei pro guarda-roupa, a Nárnia original me espera.
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