sexta-feira, 20 de março de 2015

Deixando a república das bananas para trás


Em Cuba o "comandante" da "revolução" disputa eleições regulares consigo mesmo e é sempre reeleito. Na Venezuela o tiranete cucaracha de ocasião pode se reeleger quantas vezes quiser, em pleitos onde só ele aparece na TV e a máquina do governo é usada como rolo compressor.

Equador e Bolívia, duas prósperas democracias, seguem esse exemplo.

Na Rússia o dublê de czar e presidente tem direito a uma reeleição, depois coloca um boneco no interregno e retorna para mais dois mandatos. Soa familiar?

Os Estados Unidos foram governados nos últimos 14 anos por George Bush e Barack Obama. O eleitorado de um odeia o candidato do outro, num dos períodos mais polarizados da história do país.

Só que democratas e republicanos não miram o futuro olhando para nenhum dos dois. Os republicanos hoje se dividem entre apoiadores de Ted Cruz, Marco Rubio, Scott Walker, Chris Christie, Paul Ryan. Democratas debatem se a melhor opção é Hillary, Elizabeth Warren, Joe Biden, Jim Webb. Bush e Obama agora vão duelar nos livros de história.

Isso acontece porque nos Estados Unidos o presidente tem direito a exercer o cargo duas vezes, consecutivas ou não, e depois não pode mais se candidatar. Longe de "cercear direitos" isso garante a oxidação necessária para toda democracia se manter saudável e a salvo de pais da pátria e líderes carismáticos.

E mesmo que apareça algum (olha o Obama aí) essa gente pode assombrar o país por 8 anos no máximo, depois é rua. Projetos personalistas não resistem a isso.

Se houvesse tal emenda constitucional aqui no Brasil, hoje o PT não estaria tentando desesperadamente arrastar o governo Dilma II como um cadáver insepulto até 2018, à espera de Lula, o salvador das boquinhas.

O partido estaria depurando seu lixo e buscando novas lideranças para sobreviver e o Brasil não estaria preso num debate de 20 anos atrás, o velho Lula x FHC, petistas x tucanos.

Não é possível que não exista um deputado ou senador disposto a patrocinar isso, juntar assinaturas pelo país afora e, tal qual a lei da ficha limpa, criar uma pressão tal que o Congresso simplesmente referende o que os cidadãos já decidiram.

Há pelo menos 51 milhões de assinaturas por aí a espera de tal iniciativa.
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