terça-feira, 17 de março de 2015

Golpe é Dilma não sair


Só para esclarecer: se você mora no Brasil, você vive num país onde é considerado ilegal roubar dinheiro de estatais e usar para financiar campanhas eleitorais. Não importa se você usa o TSE como lavanderia para esse dinheiro sujo, continua sendo ilegal.

De acordo com as leis do país em que você vive, também é crime um funcionário público roubar e/ou tolerar ladrões, não interessa se é ex-metalúrgico, ex-guerrilheiro ou ex-cafetão, é crime e ponto.

Ainda de acordo com a coleção jurídica deste estranho país, uma vitória eleitoral se torna ilegítima caso obtida por meios criminosos e fraudulentos, assim como um ocupante de cargo eletivo perde a moral, a legitimidade e legalidade para exercer este cargo caso pratique ou tolere crimes. Corrupção ativa, corrupção passiva, prevaricação, tudo isso torna nula a validade do mandato.

Ainda segundo estas leis não interessa se o suposto delinquente foi eleito com 50 milhões ou 50 bilhões de votos, e nem se isso ocorreu há dois meses ou há dois séculos: foi pego com a boca na botija, é rua.

Dito isto cabe lembrar também que não existe neste país pitoresco nenhuma lei criminalizando quem pede a saída de um presidente, quem reclame de um partido que rouba demais e faz de menos, quem peça para não pagar tantos impostos e taxas para sustentar vagabundos ou quem manifeste asco deste ou daquele partido.

Fazendo isso em paz, sem depredar patrimônio público ou privado, respeitando as forças de segurança e sem promover arruaça, protestar é um direito garantido pela mesma lei que impede o governante de ser corrupto ou prevaricador.

Respeitar as leis é questão de cidadania, cidadania é requisito e razão de existir da democracia, logo quem faz o que a lei permite e não faz o que a lei veda - estamos falando de um país democrático e não de leis de uma ditadura como a Venezuela, por exemplo - é um democrata.

Restando provado que Dilma Rousseff foi eleita e reeleita com financiamento de dinheiro sujo roubado pelo PT da Petrobras, ela se torna uma presidente ilegítima. Seu lugar passa a ser no banco dos réus e depois na cadeia e não na cadeira presidencial.

Dizer que impeachment é golpe, que "não aceita impeachment" portanto é coisa de fora da lei, de golpista. Rasgar a lei para defender o chefe, é coisa de golpista. Defender que um mandato ilegítimo e ilegal não seja cassado, é coisa de golpista. Clamar pela censura para abafar crimes do seu bando, é coisa de golpista. Incentivar agressões a quem se opõe democraticamente ao seu partido, é coisa de golpista. A lista é imensa, tudo coisa de golpista.

Hoje, no Brasil, o golpismo veste vermelho. Aliás, vermelho é a cor preferida do golpismo.

Eles gostam de berrar "não passarão" para os que a eles se opõem, pois eu digo: eles passarão sim. Passarão para as páginas policiais e de lá para a lata do lixo da história, de onde não mais sairão.
Os verdadeiros golpistas.
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