sábado, 28 de março de 2015

Um James Bond negro?


Pelo menos é o que uma série de emails trocados entre executivos da Sony Pictures e vazados no final de 2014 sugere. A produtora aparentemente cogita o ator britânico Idris Elba para viver o agente secreto 007 logo após o término do contrato do também britânico Daniel Craig.

Antes de mais nada e sem rodeios, preciso dizer que Idris Elba teoricamente possui as qualificações para o papel: é um bom ator e é um homem bonito. Não um "negro bonito", mas um homem bonito.

E logo em seguida permita que eu mesmo me contrarie: não acho que Idris Elba seja bom para o papel.

Uma polêmica dessas que só a internet é capaz de criar envolveu o ex-James Bond, Roger Moore, em acusações de - adivinha? - racismo (!) porque ele disse que Elba não seria "inglês-inglês" o bastante para interpretar o personagem. Sinto muito, mas Roger Moore está errado.

Me contrariei de novo? Não. Elba é nascido em Londres, logo é inglês-inglês o bastante. Fora que o agente 007 ficou celebrizado por Sean Connery, um escocês, além de já ter sido interpretado por um australiano (George Lazenby), um galês (Timothy Dalton) e um irlandês (Pierce Brosnan),

O problema com Elba, na minha opinião (e pode dizer que é racismo, porque não é) é, sim, o fato dele ser negro. Não se muda em nome do politicamente correto ou de uma ação afirmativa informal as características de um personagem que já existe há mais de 50 anos. James Bond é branco. Ponto.

Quem quiser espernear, que esperneie, mas na época em que o personagem foi imaginado por Ian Fleming e logo depois quando foi para o cinema, assim foi determinado. Não é a toa que também nunca houve um oriental ou latino fazendo o papel.

Nada contra criarem um agente especial ainda melhor, mais bem treinado e mais capacitado do que James Bond e este ser negro. Este agente negro pode até surrar James Bond em um filme, mas o 007 é branco. Ainda que seja um personagem ficcional.

Outro problema é com a pessoa do ator Idris Elba. O ator já declarou que se interpretasse o papel gostaria de ser apenas James Bond e não o "James Bond negro", algo que a imprensa e grande parte do mundo fatalmente o transformaria em meio a debates "contra" e "a favor".

Uma pessoa talentosa e bem sucedida não merece passar por isso. Se fosse um sucesso, diriam que é porque as pessoas foram condescendentes, se fosse um fracasso, seria porque a audiência do mundo todo é racista. É jogo de perde-perde.

Fora que a obsessão por esta "desconstrução" do que seria uma "cultura" ou uma "identidade" brancas beira o ridículo. Brancos existem, meus caros, convivam com isso. Não será eliminando seus vestígios da memória coletiva que o racismo diminuirá.

O que alguém diria de um Zumbi ou um Mandela brancos no cinema? Ah, mas o Mandela é um personagem real! Tudo bem, mas 50 anos de existência tornaram James Bond se não real, algo bem vivo na mente das pessoas.

Desse jeito depois de Elba cogitarão uma mulher para o papel. E logo em seguida um transexual asiático ciclista descendente de africanos que fuma maconha e anda desarmado, porque é contra armas, na verdade ele nem será mais espião, porque "espionar é feio".

Pronto, teremos James Bond, o ongueiro 0800, pintando ciclovias, defendendo menores infratores e fazendo beijaço gay contra o Putin.

Deixem o 007 em paz.
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