terça-feira, 21 de abril de 2015

Quantos negros, hein?


Nova pergunta da turma do DCE: e os professores negros? Cadê?

Depois dos alunos "me dá cota" chegarem na graduação e começarem a exigir cota no mestrado "me dá cota" e doutorado "me dá cota", finalmente chegaremos nos professores "me dá cota".

Completa-se assim um ciclo: para pagar a dívida histórica - que como todo mundo sabe é algo mais leonino do que dever dinheiro na Fininvest - basta você dizer que pode ser que tenha tido um antepassado que foi escravizado pela classe média branca cis opressora - ainda que você seja negro descendente de negros belgas que chegaram no Brasil em 1965 - que sua carreira acadêmica ganha um cheat (macete) automático que te ajuda a pular várias fases e ainda garante 20% a mais de munição do que seu adversário no PvP (jogador contra jogador).

Além do que só um negro pode entender toda a opressão sentida pelos negros e assim "humanizar" esses filhotes de leitores da Veja em sala de aula.

Assim como só um japonês pode falar de Hiroshima, só um israelense pode falar sobre o Holocausto, só um polonês pode ensinar a vida de São João Paulo II e só um verdadeiro jedi pode escrever histórias sobre a luta entre o lado negro e o lado iluminado da força, ainda que eu sinta um cheiro de racismo nessa história dicotômica que relega o "lado negro" às forças do mal, reproduz opressões e talvez precise de uma censura, quer dizer, de um controle social.
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