sexta-feira, 15 de maio de 2015

A corte dos nobres da República e a previdência dos outros

Leio o seguinte no Globo: projeto de lei concede auxílio-educação de até R$ 2.860,41 para desembargadores e servidores com até três filhos entre 8 e 24 anos.
Primeiro o espanto: então um filho de desembargador com VINTE E QUATRO ANOS não tem como trabalhar e pagar os próprios estudos? Precisa ficar pendurado no meu bolso?
Só isso já seria imoral, mas o pior não é nem isso, por incrível que pareça.
Na mesma edição do jornal, em letras garrafais logo na capa, o destaque é para o "impacto" que as aposentadorias do INSS causam aos cofres públicos e como isso é um "perigo" para as contas do país.
A preocupação de PT, PSDB, economistas em geral e jornalistas é como o país vai pagar por isso. Vejamos: depois de um tempo de "contribuição" homens e mulheres podem requerer sua aposentadoria por tempo de serviço (parentese aqui para lembrar que feministas que defendem direitos iguais não reclamam das mulheres poderem se aposentar ANTES dos homens).
Depois de 35 anos de trabalho (homens) ou 30 (mulheres) os cidadãos fazem cálculos (que com o fator previdenciário geram perdas de até 45%) para saber quanto tem direito a receber. Quem contribui sobre um valor médio de R$ 2 mil passa a receber entre R$ 1.084 até R$ 1.700 por mês, como se nota, uma "fortuna" para mais de 30 anos de trabalho.
E é isso que vai quebrar o país?
Só para dar uma idéia, os mesmos desembargadores que terão direito a auxílio para o estudo dos seus bebês de 24 anos ganham em torno de R$ 25 mil mensais - fora os penduricalhos - dependendo do estado em que atuem.
Senadores, deputados, governadores, funcionários públicos e barnabés das mais diferentes esferas ganham em média muito mais do que R$ 1.700 por mês. E quando se aposentam não ficam pobres, pelo contrário.
De acordo com informações do portal transparência do Poder Judiciário, um desembargador aposentado, que tem como remuneração base R$ 24.117,64, recebe “vantagens pessoais” na ordem de R$ 11.657,54 e também “vantagens eventuais” de R$ 28.539,89.
Pergunto de novo: sabendo disso tudo, será mesmo que é a MERRECA que o INSS paga ao cidadão pagador de impostos que não se imiscuiu na farra do serviço público que pesa nos cofres do país?
O deboche já começa quando chamam algo pelo qual você pagou a vida inteira de "benefício", mas chega às raias do cuspe na cara quando dizem que DEVOLVER O SEU DINHEIRO é o problema e não o tanto que eles sugam em roubos e mordomias.
Podem ficar despreocupados com a previdência, excelências, o dinheiro é nosso mesmo. Assim como esse que sustenta todos os luxos da corte das bananas.
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