quinta-feira, 28 de maio de 2015

Ditadura não é brincadeira

Sei que vou comprar briga, mas azar, enough is enough.
Sempre que vejo gente com cartazes pedindo intervenção militar desejo que fosse um desenho do Pica Pau e caísse uma bigorna na cabeça deles.
Pense bem: os rapazes e moças do Movimento Brasil Livre foram a pé de São Paulo até Brasília fazendo atos em cada cidade e protocolaram um pedido de impeachment de Dilma Rousseff que contém 3 mil páginas. Dentro da democracia fizeram mais contra o PT até mesmo do que eu e possivelmente do que você.
Só que no meio das reportagens sobre a chegada deles à capital o que vemos? Esses mesmos papagaios de pirata com cartazes toscos pedindo "intervenção militar já" ou uma imaginária "intervenção militar constitucional" que, diga-se de passagem, não está prevista da forma como eles juram que está na Constituição.
Dizem - não sou adivinho para ter certeza, mas compartilho dessa tese - que o regime militar de 20 anos livrou o Brasil de uma ditadura comunista de 50. E ainda que esteja correto - e o comportamento de Dilma, José Dirceu, José Genoíno e o resto da comunalha pós-redemocratização reforça isso - o fato é que tivemos, sim, um governo autoritário durante 20 anos.
Quem pediu intervenção em 1964 imaginava outra coisa. E os militares poderiam muito bem ter tirado o país do caos em que Jango o meteu e realizado eleições livres em 65, 66, 67, 68, 69, 70 - você entendeu o espírito da coisa - e assim por diante, ao invés de esperar até 1984, quando sua permanência no poder já era insustentável.
Fora isso, cabe lembrar que essa tara por um governo inchado e estatizante não só continuou como aumentou muito durante os governos dos militares. Aquilo nada tinha de liberal ou responsável economicamente, tanto que nos jogou numa hiper-inflação.
Quem pede que se rompa com a normalidade democrática hoje só pensa com a cabeça de quem deseja o PT fora do poder mais do que tudo e não com a cabeça de quem também deseja a democracia mais do que odeia o PT. Não duvide: eu detesto o PT. Mas não é agindo que nem criança birrenta que faz queixa e chama o primo maior que vamos resolver isso.
Enterrar o PT e seu esquema facínora de aparelhamento do Estado é tarefa de cada homem e mulher de bem deste país. Eles precisam ser surrados sim, mas na urna, na quantidade de gente na rua, nos panelaços, no Congresso e principalmente no coração e na mente das pessoas.
A preguiça é a mãe de todos os vícios e pedir intervenção militar sem que o PT efetivamente tente dar um golpe ou sem um cenário de guerra civil é preguiça de trilhar um caminho mais difícil, porém mais correto.
Por isso antes de pensar em sair por aí com um cartaz cretino desses na mão, lembre de novo do desenho do Pica-Pau e tente alguma loucura que só prejudique a você mesmo, como descer as cataratas num barril.
Despenque à vontade, mas vá sozinho. Deixe o país fora disso.
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