quarta-feira, 13 de maio de 2015

Não, quem bate panela não apóia a escravidão

A rede de lojas Zara foi autuada novamente por não cumprir um acordo em que se comprometia a não recorrer mais ao trabalho escravo em qualquer parte da sua cadeia de produção.
Não preciso dizer que uma companhia espanhola que ainda pensa que está na época do Tratado de Tordesilhas deveria ser simplesmente falida por decreto, ter bens confiscados para pagar indenizações e ser expulsa do país, para servir de exemplo, tal punição seria até branda.
Mas o assunto é outro.
Alguém compartilhou essa notícia na timeline do amigo de um amigo de um amigo com o seguinte comentário: "bater panela é mole, quero ver deixar de comprar na Zara".
Juro que não sei como a lógica rombuda de tal afirmação não envergonha automaticamente quem a faz, mas virou moda entre petistas convictos, comprados e envergonhados justificar a roubalheira do partido usando gente que fura fila ou cola chiclete na poltrona do cinema. Para isso vivem repetindo absurdos como: "bate panela contra a Dilma mas não dá bom dia pro porteiro" e "fala da corrupção do PT mas colava na prova no colégio".
Digamos que uma coisa justificasse a outra - como se Auschwitz fosse automaticamente absolvido porque israelenses colocam muita pimenta na comida -, como poderíamos verificar?
Todo petista que repete essa bobagem já bateu na porta da casa de cada um dos milhões que bateram panelas ou saíram às ruas para verificar se eles jogam guimba de cigarro no chão?
Qual método científico foi utilizado para auferir se todos os que fazem parte dos 70% que rejeitam a organização criminosa com registro partidário olham pra mulher do vizinho ou soltam pum no elevador e colocam a culpa no cachorro?
Sinceramente creio que a maioria das pessoas que se levantam contra o governo corrupto e incompetente de Dilma Rousseff com certeza deixaria de comprar num lugar que pratica trabalho escravo.
Também não tenho como provar, mas é uma suspeita, já que caso contrário provavelmente votariam sem problemas no partido que ganha eleições fazendo terrorismo contra famintos, o que não deixa de ser outra forma de escravidão.
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