segunda-feira, 18 de maio de 2015

O jogo do oprimido

Se a razão fosse um videogame, funcionaria mais ou menos assim:
Mulher, acrescente 100 pontos.
Mulher trans (nasceu homem, é homem, mas diz que não é), acrescente mais 100 pontos.
Mulher trans-lésbica, mais 200 pontos.
Mulher trans-lésbica, feminista, combo de 500 pontos.
Mulher trans-lésbica, feminista e negra, some 1000 pontos.
Mulher trans-lésbica, feminista, negra, pobre, mais 200.
Mulher trans-lésbica, feminista, negra, pobre e favelada, toma mais 300 pontos aí.
Mulher trans-lésbica, feminista, negra, pobre, favelada e cotista, mais 100 pontos pro cofrinho.
Mulher trans-lésbica feminista negra, pobre, favelada, cotista e vegetariana, opa, parabéns! Vale mais 500 pontos.
Mulher trans-lésbica, feminista, negra, pobre, favelada, cotista e vegetariana que já tomou dura da polícia, mais 500.
Mulher trans-lésbica feminista negra pobre, favelada, cotista e vegetariana que já tomou dura da polícia NA ENTRADA DA FAVELA, você acaba de ganhar munição ilimitada.
Mulher trans-lésbica feminista, negra, pobre, favelada, cotista e vegetariana que já tomou dura da polícia na entrada da favela e carregava maconha na bolsa, você virou socióloga automaticamente mesmo sem nunca ter cursado uma universidade.
Mulher trans-lésbica, feminista, negra, pobre, favelada, cotista e vegetariana que já tomou dura da polícia na entrada da favela, carregava maconha na bolsa e voltava da reunião do coletivo de bicicleta, parabéns!
Você tem a capa invisível da imortalidade e da razão. Você pode opinar a merda que for em debates sobre liberação de drogas, maioridade penal, imigração, médicos cubanos, a questão racial no Brasil, voto distrital, paredões do BBB, a dança dos famosos e até decretar a revogação completa das leis de Newton, porque sempre haverá um homem, hétero, branco de classe média, que tem varanda gourmet, passou na federal porque estudou em colégios caros e anda numa "bike" de três mil reais, usa barba mas ainda assim parece um fresco que vai te dar razão.
Se não alguém vai surgir voando com uma capa onde se lê "Super Justiça Social" para mandar o opressor calar a boca.
Afinal, quando você fala, o mundo tem que ficar quieto.
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