quinta-feira, 28 de maio de 2015

Ser de esquerda no Brasil é

Ser de esquerda no Brasil hoje se resume a:
- Virar advogado de porta de cadeia e sair por aí defendendo envolvido no mensalão, petrolão, BNDESão, etc.
- Dar faniquitos e se ofender com tudo, desde "brincadeiras machistas" até "reproduções de opressões", ainda que estas estejam num desenho do Popeye criado na década de 1930.
- Dizer que detesta a família tradicional, mas passar o dia pensando em como incorporar a união de dois homens, uma mulher, uma cabra e um sagui no conceito de...família tradicional!
- Detestar as grandes corporações enquanto toma um frappuccino no Starbucks com o pessoal do "coletivo".
- Virar vegano, encher o saco de todo mundo alertando para os "benefícios da vida saudável" e no entanto tomar drogas sintéticas no carnaval e na rave.
- Se comunicar usando expressões ridículas que servem apenas para te fazer sentir mais engajado-entendido-revolucionário e que dizem a mesma coisa que qualquer vocabulário de pessoa normal poderia dizer, como "problematizar" ao invés de discutir, garantir um "lugar de fala" ao invés de deixar a pessoa se expressar ou se definir sexualmente com bizarrices no estilo "impri-pangênero trans-queer não-binário".
- Ser a favor da tolerância e da diversidade pregando que todos que pensam diferente de você sejam censurados, surrados, processados, presos, extraditados e seus nomes apagados da face da Terra.
- Ser contra o financiamento empresarial de campanhas mas defender um governo que foi eleito com dinheiro sujo de empreiteiras corruptas que assaltavam os cofres públicos.
- Defender Cuba e esquerdar no Facebook, enquanto nenhum cubano pode sequer saber dessa sua "luta" porque na ilha prisão caribenha não há acesso livre à internet.
- Bancar o fiscal da indignação alheia e determinar que o cara não pode se indignar com a corrupção se não fizer nada contra o racismo, não pode falar contra a guerra no Iraque e não ir numa passeata contra os bancos e por aí vai.
- Militar pela liberdade das mulheres e no entanto determinar que só são livres as que deixam cabelo no sovaco, pintam o corpo com sangue menstrual, se vestem como o primo de 15 anos, viram sapatões, passam a odiar homens e usam sidecut. Do contrário são todas oprimidas.
- Não conseguir ir na esquina comprar um Chicabon sem brigar com o padeiro, o velhote na fila e o vendedor de balas porque alguém falou alguma coisa que te ofende e nenhum deles entende direito as opressões que você vive.
- Defender bandido, traficante, terrorista, genocida, ditador e dizer que faz tudo isso porque é mais humanizado do que os outros.
- Escrever num idioma irreconhecível e em constante processo de degradação, ora falando com "coleg@s", ora com "colegxs" e algumas vezes com "colegues".
- Ter certeza de que a razão está com quem berra e/ou interdita e/ou cerceia mais do que o outro.
- Fazer papel de palhaço e ser conhecido pelas costas como "o chato", "a histérica" ou "aquela mala que não consegue conversar cinco minutos sem dar lição de moral, corrigir alguém ou se ofender e sair berrando/chorando".
Ser de esquerda no Brasil hoje é ser alguém que só pode se relacionar num grupo restrito de pessoas, que pensam exatamente igual e têm as mesmas visões de mundo. É ser alguém que passa aos outros, como já li por aí, a sensação de que é impossível ser seu vizinho, seu colega de trabalho ou mesmo seu cunhado.
A "luta", finalmente, se resumiu a "não gosto de brancxs, homens, cis ou trans, de bigode e/ou depiladxs, de elite, que batem panela, estudam exatas, são coxinhas e mais alguma coisa que ainda não pensei mas vai me ofender daqui a pouco, enfim, só me dou bem com meus cinco amigos, sendo que um é imaginário".
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