segunda-feira, 22 de junho de 2015

O PT corre em direção ao abismo

Em 1954 o governo Vargas vivia o auge de uma crise que se arrastava. Segundo vários relatos históricos, o presidente em si estava determinado a seguir a constituição e tirar de si a fama de ditador e por isso recusou seguidos conselhos para decretar estado de sítio.
A princípio o próprio Vargas não tomou conscientemente o rumo da crise. Relatos de gente como o ex-presidente Tancredo Neves asseguram isso. Mas sobre o seu entorno - família e puxa-sacos - conta-se outra história.

Gregório Fotrunato, posto a serviço do presidente por seu irmão e metido em negócios suspeitos com seu filho, encomendou o assassinato de Carlos Lacerda, tentativa que não deu certo mas matou um oficial da aeronáutica e finalmente elevou a crise a tal ponto que Getúlio suicidou-se.
Dez anos depois o presidente João Goulart foi aconselhado a não participar de um comício na Central do Brasil - de frente para o QG do exército - e não só foi como fez um discurso provocativo. Dias depois foi aconselhado de novo a não participar de um ato dos sargentos no Automóvel Club e não só foi como fez outro discurso tão provocativo quanto o outro.
Tancredo, esse onipresente personagem da política nacional durante décadas, contou em entrevista que disse que João Goulart entraria no Automóvel Club como presidente, mas que não sairia dali como presidente. Dito e feito. Veio o golpe e 20 anos de ditadura.
Em comum ao entorno de Getúlio e ao comportamento de Jango, uma húbris assustadora. O lobo mau esperando para avançar e ao invés de se recolher em casa a Chapeuzinho vai passear no bosque. Mandar matar um jornalista que fazia oposição agressiva ao governo e desafiar generais é tudo o que não se deve fazer quando você não deseja agitação política que possa te derrubar.
Como a história se repete de tempos em tempos, vemos esse governo do PT agindo da mesma forma, só que dessa vez ambos, o ator principal - ou atores, já que Lula e Dilma ainda não se fundiram - e seu entorno agem da mesma forma. Parece que não tem ninguém para puxar o freio.
Depois de uma eleição polarizada onde a presidente usou e abusou da mentira e da calúnia contra os adversários para se eleger, a prudência recomendaria recato, conciliação e algum mea culpa. Mas, ao contrário, as hostes petistas estão cada vez mais agressivas, o governo cada vez mais determinado a seguir nos próprios erros (aparelhamento, super-Estado e triunfalismo lunático, por exemplo) e o "líder" comete erros típicos de quem está certo de que vai enganar todos o tempo todo.
O tempo do PT no poder acabou, isso está cada dia mais claro, a dúvida é como essa saída do poder se dará, e o que virá depois.
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