quarta-feira, 24 de junho de 2015

O símbolo do atraso

Quando um esquerdista não quer resolver nada, geralmente cria uma comissão para estudar o assunto. Esquerdistas são tarados por comissões, já notou?
Cinquenta pessoas reunidas num auditório para decidir que vão formar uma comissão com dez que depois vai formar duas subcomissões com cinco para no final ficarem exatamente onde começaram. Sempre que numa reunião qualquer com menos de cem pessoas alguém propõe criar uma comissão eu me pergunto: mas isso aqui já não é uma comissão?
Essa tara esquerdista se explica por uma das principais características do seu modo de pensar, que é o apego a símbolos. A esquerda não cria comissões porque deseja pensar melhor sobre nada, as cria porque simplesmente não conhece forma alguma de passar do discurso à ação sem que isso envolva revoluções, paredões, expurgos e supressão de liberdades.
Na falta de uma linha de ação construtiva qualquer - já que só o que sabem defender é expropriação, taxação, divisão, luta - optam por símbolos como "o negro", "o sem terra", "a feminista", "o gay" e assim por diante. Até mesmo sua noção do que é bom é idealizada e simbólica, já que conseguem a proeza de pregar a tolerância sendo intolerantes, por exemplo.
Não há como negar que existem problemas relacionados a certas minorias no mundo de hoje - vou usar o termo "minoria" ainda que ele me incomode, já que negros são maioria na África e sofrem mais lá do que em qualquer outro continente - é fato que precisamos resolver questões como os direitos dos gays, a igualdade para as mulheres, a intolerância religiosa e social. Mas qual a melhor maneira de resolver isso?
Abrindo espaços para que o mérito e o esforço pessoal possam fazer a diferença, aceitando que as mulheres devem ter seu lugar no mercado de trabalho, combatendo focos de intolerância onde eles efetivamente estejam ou idealizando símbolos como ações afirmativas, feminismo histriônico e o ataque às crenças alheias como condição para a existência de um tal "Estado laico"?
A eleição de Obama foi comemorada como histórica por causa do simbolismo do primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Tirando isso, o que mais foi Obama? Eu respondo: um péssimo presidente tanto interna quanto externamente. Mas a esquerda em geral continua celebrando Obama, ainda que nem mesmo a vida dos negros daquele país tenha melhorado durante seu governo. Vê o que digo? Símbolos ao invés de ações.
O que é a imagem de revolucionário romântico criada para Che Guevara além de um símbolo que esconde um sujeito violento e sanguinário?
Por isso tanta importância ao "fiu-fiu" ou ao "beijo gay na novela" ou ao "black face" (artistas pintando o rosto de negro no teatro), porque todos estes são símbolos muito mais fáceis de serem ostentados do que realizações de fato.
Temos um conjunto de leis que, se aplicadas, já criminalizam qualquer um que bate em alguém na rua independente de sua orientação sexual. Não precisamos de uma lei específica para saber que um casal se estapear dentro de casa é errado. Não é removendo um crucifixo de uma repartição pública que ela será mais ou menos eficiente. Símbolos valem muito pouco na prática.
Mas a esquerda sabe que valem bastante para a propaganda, por isso é que conseguem enganar tanta gente por tanto tempo e só por isso é que temos que perder um pouco do nosso tempo desconstruindo esses símbolos.
Sair do imobilismo e retrocesso que a esquerda representa depende dessa ação.
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