sexta-feira, 10 de julho de 2015

A indústria do ofendido

Hoje em dia pouca coisa é tão lucrativa quanto se ofender. Uma pletora de ativistas, revolucionários que cobram cachê, ongueiros, políticos e demais oportunistas vivem de se ofender e/ou defender os supostos ofendidos.
Esses justiceiros sociais estão sempre a postos para fazer uma gritaria muito superior à sua importância numérica e constranger empresas, personalidades e cidadãos comuns. Seja por causa de racismo, "apropriação cultural", "homofobia" ou qualquer outra causa que faça parte do repertório da orquestra da berraria, eles sempre estarão ali argumentando que o outro tem que se calar, afinal, "não entende a opressão alheia".
Cria-se, como eu mesmo já disse algumas vezes, a teoria perfeita, que jamais é refutada porque é proibido tentar refutá-la. E por essa teoria todo negro é oprimido, todo homossexual se envolve em problemas exclusivamente por ser homossexual e uma branca de turbante ou um artista que pinte a cara de negro merecem um tratamento que só não resolve para menores que cometem crimes: pau e cana.
Uma jovem - por acaso negra - anda pelo Rio de Janeiro com um penteado black power AZUL. Alguém a fotografa de COSTAS e comenta numa rede social: "nunca vi Smurf de black power". Note-se que se alguma cor é alvo da pilhéria esta é o azul e não o preto, mas a moça decidiu que aquilo era "racismo", fez escândalo, ganhou seus 15 minutos de fama num dos veículos de imprensa do país sempre prontos a servir de caixa de ressonância para os justiceiros sociais e até ameaçou processar a pessoa que fez o comentário.
"Acho que é muito fácil dizer que a pessoa está se fazendo de vítima quando não é você quem está sofrendo. Vou esperar colocarem fogo no meu cabelo?", disse ela. Note: saiu de um comentário sobre Smurfs e foi parar em "colocarem fogo no cabelo". Mas claro, ela não está se fazendo de vítima, afinal, só ela sabe o que sofre, então é vítima e pronto.
Adiante.
Uma exposição no Museu de Belas Artes de Boston foi cancelada porque os ofendidos resolveram que tirar fotos usando quimonos na frente das obras era apropriação cultural. Não só a exposição foi cancelada como o museu pediu desculpas pela "ofensa".
Cabe, é lógico, apontar a mistura de complexo de inferioridade, oportunismo e neurose social que é incutida nas pessoas cada vez mais cedo nos dias de hoje, a ignorância aliada à preguiça faz pulular esse tipo de gente que acha que o outro sempre ofende, simplesmente por não se sujeitar - atente para este verbo, sujeitar - aos seus conceitos. "Quem um branco pensa que é para dizer que o movimento negro exagera?", dizem os justiceiros sociais, como se o próprio movimento negro não vivesse por aí dizendo o que um branco deve ou não fazer.
Mas isso já é conhecido, e é ruim, mas nem é o pior. Como bem lembrou um dos moderadores da engraçada fanpage "Aventuras na justiça social", pior é quem se sujeita ao oportunismo histérico da indústria do ofendido. É a agência publicitária que cancela a campanha que "ofendeu" alguém, é o teatro que retira a peça de cartaz depois que meia dúzia de histéricas foram berrar na sua porta, é a universidade que tolera o sequestro de suas instalações por estudantes profissionais que passam o dia propagando lixo ideológico e atrapalhando os demais alunos, é o museu que cancela uma exposição porque terroristas intelectuais ameaçaram "botar a boca no trombone", como se já não o fizessem.
Quem cede a este tipo de histérico ao invés de se ver livre dele faz um convite para que seja sempre patrulhado e dá um exemplo de que a estupidez militante vale a pena, porque consegue censurar quem bem entende.
O produto da indústria do ofendido é a culpa e seu lucro são as cabeças entregues à sua ira dos justos, negue mercado consumidor, que ela vai à falência.
Deixe que esperneiem sozinhos.
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