quinta-feira, 16 de julho de 2015

Alfajor com recheio de lorota


O sempre atuante deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) questionou na CPI da Petrobras o ministro da justiça, José Eduardo Cardozo, sobre dois encontros fora da agenda que teve com o procurador geral da República, Rodrigo Janot, em Buenos Aires e com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski junto com Dilma Rousseff, na cidade do Porto, em Portugal.

O encontro com Janot, ainda que importante, nem de longe desperta a mesma surpresa da reunião em Portugal, quando dois chefes de poder - Dilma e Lewandowski - que trabalham a 500 metros um do outro em Brasília resolveram se encontrar a 7.500 quilômetros dali, às escondidas, justamente na hora em que a operação lava-jato bate às portas do Planalto.

Conta a sabedoria popular que o mentiroso sempre dá muitos detalhes. Quanto mais detalhes, maior a mentira. A verdade é reta, explícita, não precisa de enfeites que a reforcem. Já a mentira precisa de minúcias que excitem a imaginação e transformem o inexistente em algo plausível.

Se foi o caso da resposta de Cardozo para a pergunta do deputado Onyx não posso afirmar, mas vejamos: Cardozo disse que estava em Buenos Aires, tomando café na Galeria Pacífico, comprando alfajores e encontrou Janot. Ambos conversaram, Janot convidou-o para um jantar em Puerto Madero, o que ele primeiro recusou para não invadir a intimidade do procurador, mas depois concordou.

Foram levados ao local por um taxista chamado Rafael, que presta serviços a Janot há mais de 20 anos e ali jantaram, mostrando até uma foto que foi sacada pelo ministro de uma pasta, como que para provar que não tinha nada demais, já que até o taxista Rafael - que o ministro fez questão de afirmar não ser um agente da CIA - aparecia. Só faltou dizer o sabor do alfajor.

Tudo coincidência, tudo acidental, nada demais, apenas conversaram amenidades enquanto saboreavam, quem sabe, um bife de chorizo.

Sobre o encontro de Dilma com Lewandowski em Portugal? Ah, foi a mesma coisa. Tudo coincidência, tudo acidental, nada demais. E mais não disse.

Então um ministro do STF que só faltou subir no lustre do plenário para aliviar o lado dos petistas pegos no caso do mensalão se encontra com a presidente que já, já estará encrencada em uma investigação parecida, mas muito pior, no exterior e nem tocaram no assunto? Só falaram sobre os salários dos servidores do judiciário? Lewandowski estava em Coimbra, Dilma na cidade do Porto, duas cidades distantes mais ou menos 110 km uma da outra, e se encontraram por acaso?

O taxista Rafael estava presente? Comeram o quê? Bacalhau com arroz de grelos? Pastéis de Belém? Conversaram sobre as belezas do Algarve? Sobre a situação do Sporting no campeonato português? Sobre a prisão do ex-primeiro-ministro José Sócrates? Não, talvez isso não, melhor não falar de corda em casa de enforcado.

E já que é pra me chamar de idiota e dizer que todos esses encontros foram por acaso, que tal o ministro da justiça me tirar pelo menos uma dúvida simplória: aqueles alfajores, eram Havana ou Jorgito?
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