quinta-feira, 2 de julho de 2015

Cadeia só resolve se você discordar deles

Quando o ícone da esquerda caviar - que o exalta, mas não o imita - José Pepe Mujica propôs a liberação da maconha no Uruguai, uma das muitas coisas que disse a respeito foi: o que se tentou até hoje não deu certo, vamos fazer uma tentativa diferente, se não der certo nada impede de voltarmos atrás. Nossa! Isso foi saudado como a máxima expressão do progressismo, do governo esclarecido, da modernidade.
Pois bem, no Brasil discute-se este tema e muitos outros temas polêmicos, como é o caso da redução da maioridade penal. O que impede que isto seja encarado com a mesma "serenidade" que foi aplaudida no caso da liberação da maconha no Uruguai? Simples: o que se fez até aqui não funcionou, vamos tentar algo novo. Se der errado, voltamos atrás. Mas o buraco é mais embaixo, porque vemos nesse episódio dois dos aspectos mais deletérios do sistema político brasileiro: a minoria se impondo à maioria no grito e a sensação que um mandato dá a alguns políticos de que são uma nobreza que não deve satisfações a ninguém.
Agem como quem diz "amanhã você vai me agradecer por isso", mas na verdade fazem o que querem pura e simplesmente, fingindo que é assim pelo "interesse da nação". Brasília é um teatro. Ali se finge que o cidadão é a preocupação quando a única preocupação é enganá-lo e subverter sua vontade enquanto subtrai-se vasto numerário.
A máscara da representação política no Brasil não passa de uma maquiagem de prostituta ou, no máximo, uma pintura de palhaço.
Quem acompanhou os debates sobre a redução da maioridade pode observar isso. Nada menos do que 87% da população a favor, mas diversos deputados - maioria absoluta do PT e seus satélites como o PC do B e o PSOL - com a cara de pau de falar contra "em nome do povo".
E não só eles como também "artistas", "intelectuais" e os já habituais jornalistas tão isentos quanto um dirigente da UNE. Todos com suas mentes iluminadas dizendo ao povo o que o povo realmente quer.
- Você pensa que deseja isso, mas na verdade não deseja, pode deixar comigo, eu sei o que é melhor para você.
Como se a maior área de expertise de artistas e intelectuais não fosse angariar verbas públicas de patrocínio e como se quase todo jornalista e colunista não faltasse só usar uma estrela vermelha na lapela. Tudo ex-comunista e ex-petista viúva da utopia, chorando as mágoas da inocência perdida em doses de uísque 12 anos na beira da piscina.
Assistindo um desses discursos contra a redução vi um deputado dizer que "não importam pesquisas de opinião, eu voto com a minha consciência". Ora bolas, Deputado não vai pro parlamento "votar com a consciência", mas votar de acordo com o que o ELEITOR que é a fonte do poder democrático assim deseja. O mandato não é dele, foi emprestado a ele.
Menor de idade que anda dentro da lei não tem o que temer, seja rico, branco e de bairro nobre ou "pobre, negro e favelado". Não existe nenhum artigo na lei mandando prender negros circulando pela rua, esse artigo só existe na cabeça de empulhadores e rábulas do PT e seus partidos lacaios.
Mas a bancada do crime - não chamam os outros de bancada da bala? - está mais preocupada com a idéia abstrata de que a educação é uma cartola de mágico. Educação é solução para quem ainda não caiu na criminalidade, para estes a solução é cadeia mesmo.
Só que para a esquerda brasileira cadeia pelo visto só é solução se for para opositores em Cuba e na Venezuela.
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