quarta-feira, 8 de julho de 2015

Da série "as catacumbas de um cérebro baldio"

Um assaltante foi amarrado num poste, linchado e morto pela multidão num subúrbio de São Luís, no Maranhão.
O jornal Extra - cada vez mais parecido com um panfleto de DCE - publicou uma capa na qual compara o fato aos castigos corporais recebidos pelos escravos no Brasil.
A primeira observação a se fazer sobre o ocorrido na capital maranhense é que o pobre não é tolerante com o crime. Ao contrário do que a esquerda dos Jardins e da Zona Sul pensa, o pobre está mais para coronel Telhada e Jair Bolsonaro do que para Marcelo Freixo e Maria do Rosário.
Outra coisa a se reparar é que as pessoas estão cansadas da impunidade generalizada, de serem roubadas de todo lado por bandidos de gravata ou de bermuda. Por isso recorrem a este tipo de expediente lamentável, bárbaro, chocante.
O que aconteceu ali é condenável sob todos os aspectos, que fique bem claro. Dar uns tapas é bem diferente de matar uma pessoa a pauladas no meio da rua. Meu limite não é capaz de ir tão longe.
Não esqueço que se não tivesse acontecido o linchamento, talvez o assaltante tivesse matado alguém, senão neste dia, em algum momento mais adiante. Também não ignoro que se fosse preso talvez já estivesse solto em pouco tempo, pois no país das "vítimas da sociedade" a leniência com o crime gera a sensação de que este compensa.
Tudo errado. Tudo literalmente errado.
Mas sempre pode piorar. Basta que o ativismo rombudo se encontre com o jornalismo militante e, ao invés de dar uma notícia e analisá-la com o mínimo de equilíbrio, um veículo de imprensa escolha partir para o grito de guerra, o slogan de passeata, o sensacionalismo panfletário.
Comparar pessoas que foram retiradas à força de seus países, trazidas para outro continente e obrigadas a trabalhar em troca de pão, pano e pau com um assaltante não é só o cúmulo da desonestidade intelectual, mas também do mau gosto típico da imprensa marrom.
Catacumbas de um cérebro baldio é pouco.
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