quinta-feira, 9 de julho de 2015

Dilma e o soldado francês

O jornalista Jorge Bastos Moreno - mas não só ele - comparou a atitude da presidente Dilma Rousseff ao dar uma desastrada entrevista à Folha de São Paulo com uma frase dita pelo deputado Ulysses Guimarães: "minha filosofia é a do soldado francês, se estou cercado, ataco".
O que Ulysses não devia dizer logo em seguida é que a chance deste soldado ser abatido pelo inimigo é grande, já que uma medida desesperada não deixa de ser uma medida desesperada.
Para quem está com a aprovação na casa de um digito - provavelmente com viés de baixa, afinal o chão é o limite - dizer coisas como "não vou cair, isso aí é moleza" ou "eles que tentem" desafiando os adversários e a justiça que investiga traficâncias e roubalheiras no seu governo e na sua campanha eleitoral, é algo mais imprudente - pra não dizer idiota - do que a atitude do soldado francês citado por Ulysses.
Uma presidente ruim de governo, ruim de retórica, ruim de articulação política e péssima em popularidade fazer esse tipo de desafio pode açular suas milícias a soldo e o resto da minoria da minoria da minoria que ainda acredita nela, mas causa nos demais - nesse caso mais ou menos 90% do país - aquela sensação de "Ah é? Então vamos ver se cai ou não, queridona", para usar um desses termos de impaciência travestida de falsa simpatia e intimidade que Dilma usa quando dá entrevistas.
Como durante a eleição de 2014 Dilma ordenou que se fizesse uma campanha suja e agressiva contra Marina Silva e depois contra Aécio Neves e a estratégia funcionou, sua mente limitada pensa que agora bastará chamar a oposição de golpista, além de ser cada vez mais debochada, mitômana e agressiva para que a crise em que vive seu governo desapareça.
Esquece que não vai adiantar repetir que está tudo bem para o cidadão que cada dia mais sofre com a inflação, não vai bastar chamar o João Santana e preparar uma campanha difamatória qualquer e nem colocar o exército da mortadela na rua para que inflação, estagnação econômica, desemprego, alta no custo de vida e as consequências das investigações dos pixulecos e pedaladas que a cercam sumam.
Esses problemas reais não são eleitores manipuláveis que votam motivados por medo ou mentiras, dessa vez não há truque marqueteiro que a salve, apenas que prolongue seu ocaso deprimente, que virá independente dela dizer que cai ou não, que renuncia ou não.
Caso não entenda que a única saída digna é mostrar a bandeira branca e levantar acampamento, Dilma vai descobrir que está fantasiada não de soldado, mas de imperador francês, sem arma e sem munição, batendo com a testa no muro de um manicômio.
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