terça-feira, 7 de julho de 2015

Grécia, Alemanha e BMWs

Uma boa definição para o comportamento da Grécia foi apresentada por Ronald Reagan, quando este definiu que o Estado "é como um bebê: um canal alimentar com um enorme apetite numa ponta e nenhum senso de responsabilidade na outra".
Não é equilibrado pensar que um país onde existam aposentados com menos de 55 anos que custam mais de um bilhão de euros por ano possa ter suas contas públicas em ordem. Fora isso, a Grécia tem um governo caro e obeso, que já chegou a ser dono de seis mil empresas públicas com servidores ganhando 14º e 15º salários e aposentadoria integral.
A Alemanha não está na situação em que está porque sua seleção nacional foi campeã do mundo ou porque os alemães bebem muita cerveja, mas porque é um país onde se trabalha muito, gasta-se dentro das possibilidades e o governo não comete loucuras em nome de um populismo viciado em pesquisas de opinião.
Países europeus, como Portugal. Espanha, Itália e a Grécia pegaram muito dinheiro emprestado, gastaram mais do que podiam e acabaram com suas contas em frangalhos. Um italiano ou português médio gosta de andar numa BMW, passear nas férias, trabalhar poucas horas por dia, se aposentar cedo e viver de crédito.
O que Angela Merkel basicamente disse e fez desde que estourou a crise européia - que, diga-se de passagem, não atingiu a Alemanha - é que eles vão poder continuar andando de carrão, passeando nas férias e utilizando crédito, mas para isso terão que aprender a trabalhar e a gastar como alemães. Caso contrário não contem com o dinheiro destes.
Claro que a recessão é um fardo para qualquer país, ainda mais para a Grécia que já está em recessão há tempo demais, porém o governo grego deve ter em mente que continuar gastando o dinheiro dos outros da forma que bem entende não é uma medida de soberania, mas de pilantragem.
Com a vitória do "não" no plebiscito que decidiu se os gregos aceitariam ou não mais medidas de austeridade, a Grécia passou o seguinte recado: gaste mais do que tem, peça emprestado e não pague, convoque um referendo, decida dar um calote e depois chame isso de "dignidade".
Chamar os credores de "agiotas" e logo em seguida pedir mais dinheiro não é uma atitude sequer coerente, quanto mais digna. Por isso mesmo foi assustador ver um ministro grego na CNN dizendo basicamente que não pretendiam adotar medidas de austeridade e ainda assim queriam mais dinheiro dos credores, o que é mais uma prova de que o socialismo transforma países em manicômios.
O problema é que agora os socialistas da Grécia vão descobrir que até para assaltar banco alguém primeiro precisa ter colocado o dinheiro ali. Inclusive o governo já estuda fazer um confisco de 30% dos ativos depositados no país, ou seja, regimes de esquerda são maravilhosos quando não é você o assaltado.
Quando forem sacar dinheiro no banco, ao invés de notas de euro os gregos vão receber panfletos da UNE e exemplares da Carta Capital.
E sabe no que tudo isso te diz respeito? Todo esse caos na Grécia começou com governos gastando mais do que podiam e uma olimpíada sugando dinheiro. Agora adivinhem o resto.
O Brasil hoje tem 23 mil cargos comissionados, funcionários públicos ganhando muito mais do que a média salarial do país e se aposentando com condições melhores, o governo custa caro e é ineficiente, fora que se recusa a enxugar a máquina, preferindo soterrar quem produz em impostos e burocracia.
Fora tudo isso, o Brasil também conta com uma máfia sindical e uma esquerda totalmente descoladas da realidade, exigindo sempre mais, tal qual uma das pontas do bebê descrito por Reagan.
Junte todos os pontos e não será difícil imaginar o que sairá pela outra ponta: um presente de grego.
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