segunda-feira, 6 de julho de 2015

O Ubber e a sua liberdade

A prefeitura do Rio de Janeiro fecha a via expressa do aterro do Flamengo aos domingos e feriados, transformando toda a região numa imensa área de lazer.
O canteiro central entre as duas pistas é uma larga faixa gramada com árvores em toda a sua extensão, que é ocupada só por algumas poucas famílias fazendo piqueniques, já que não há outra forma de comprar comidas e bebidas no local, pela falta de oferta.
Passando por ali imaginei: por que a prefeitura não permite que essa turma da modinha dos food-trucks estacione seus furgões por ali e sirvam refeições? Um acordo em prol da livre iniciativa celebraria o seguinte: eles não precisariam pagar licenças ou alvarás, apenas cuidar de todo aquele canteiro central se cotizando para pagar uma empresa privada de limpeza e conservação que manteria toda a faixa central, liberando a prefeitura daquela tarefa, economizando dinheiro público e muito provavelmente realizando um serviço melhor.
Imagine uma grande praça de alimentação a céu aberto, sob a sombra de árvores e num cenário bonito? Sem burocracia, sem esperas, sem o Estado pendurado na jugular do empreendedor.
Pensei o mesmo em relação à polêmica envolvendo o aplicativo Uber, pelo qual dois cidadãos maiores de idade e em pleno gozo de suas faculdades mentais celebram um acordo de prestação de serviços que em NADA afeta o Estado ou a sociedade, logo não deve ser constrangida, mas acaba sendo pelos interesses corporativos da máfia sindical dos táxis.
A solução para isso não é mais Estado como estão fazendo em São Paulo, onde a prefeitura já prometeu colocar seus barnabés para criar arapucas e multar os motoristas que usam o aplicativo, mas menos Estado, tanto para os motoristas do Uber quanto para os taxistas.
Libere-se de uma vez o que nunca pediu para ser regulamentado e defina-se apenas que carros do Uber só podem fazer trajetos ponto a ponto, sem "pegar" passageiros na rua, como aliás já funciona. E quanto aos taxistas, diminuam impostos e burocracia, criando sistemas de taxas regressivas onde a cada vistoria que identificar menos infrações, exigências e multas faria diminuir o valor a ser pago.
Permita-se ainda que em determinados horários de pico eles possam fazer serviço de lotada, sem precisar pagar nada ao governo por isso e flexibilizem o valor da tabela do taxímetro, deixando que eles ofereçam descontos no horário em que a concorrência for maior e cobrem mais quando a demanda for maior.
O problema do governo é o transporte de massa, mas pra isso é preciso trabalho e não só fúria arrecadatória.
Enfim, parem de tratar cidadãos como palermas que precisam de alguém cuidando da sua "segurança", porque a questão da "segurança" é normalmente a maior desculpa do Estado para se enfiar nas suas vidas, cobrar caro pelo que não foi solicitado e criar dificuldades onde elas não existiam.
É claro que muitos taxistas que se uniram contra o Uber estão é defendendo seu "direito constitucional" de oferecer um serviço de merda cobrando vinte vezes mais do que ele vale, mas existem aqueles que apreciariam mais liberdade na sua profissão e veriam vantagens em poder empreender sem constrangimentos do Estado.
Para aqueles que preferem prestar um serviço ruim e ganhar muito por isso sempre sobrará alguma carreira estatal.
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