segunda-feira, 20 de julho de 2015

Operação lei seca: uma forma falsamente bem intencionada do Estado te achacar (mais)


A cena é comum no Rio de Janeiro: no meio da noite, em pontos estratégicos da cidade, um gigantesco balão de plástico iluminado anuncia que ali se realiza mais uma blitz da operação lei seca. O objetivo teoricamente é dos mais nobres: impedir que pessoas bebam e dirijam, evitando acidentes, mas como estamos no Brasil, nem tudo o que parece, é.

O sujeito é escolhido, estaciona seu carro, ouve uma explicação do porque daquilo tudo e sopra um aparelho - o popular bafômetro - que indica a quantidade de álcool no seu sangue. Tenho críticas ao limite adotado no Brasil, mas isso não vem ao caso. Passando no teste, o policial ou agente de trânsito dá parabéns e boa noite e manda o cidadão embora, correto? Não.

Aí começa a malandragem arrecadatória estatal travestida, como sempre, de "cuidados com a sua segurança". Terminado o teste do bafômetro - em alguns casos nem esperam terminar, é tudo ao mesmo tempo - os agentes da blitz começam a consultar se o IPVA está pago, se o veículo tem multas, se passou pela vistoria anual, se o extintor de incêndio está dentro do prazo, se o estepe está calibrado, se a pintura é bonita, o estofamento é confortável, se o motorista é charmoso, etc., você já entendeu o ponto: a "operação lei seca" é, na verdade, a "operação multa e reboque", o que significa tomar mais dinheiro dos outros para enfiar no saco sem fundo do Estado.

Não vou aqui discutir filigranas do que não é minha especialidade, mas o valor do IPVA no país não é o de um mero imposto para manutenção de vias que sempre estão em péssimo estado, é um confisco. A vistoria anual nada mais é do que a criação de dificuldades para vender facilidades e a blitz da lei seca é uma farsa. Mas uma farsa bem pensada.

Afinal, quem seria contra uma ação que coíba o absurdo que é encher a cara e dirigir? Falar que é contra esse tipo de coisa é quase como dizer que apoia o vírus da dengue. Tudo é "para a sua proteção", como aqueles kits de primeiros socorros que obrigaram todos os proprietários de veículos a comprar e logo depois dispensaram a obrigatoriedade. Como os extintores de incêndio que mesmo na validade não duram nem 5 segundos e não apagam nem vela de aniversário. Mas se é "para o seu bem", quase todo mundo aceita.

Sabendo disso, o Estado se aproveita para achacar mais o pobre coitado do pagador de impostos e ao invés de de verificar se o motorista é habilitado, se o carro não é roubado, se o sujeito bebeu e mandá-lo embora, começam - sob ameaça de reboque no meio da noite, deixando o cidadão a pé - a cuidar das máquinas registradoras do governo.

Se a preocupação fosse mesmo com a segurança das pessoas, o fato de ser habilitado, não andar num carro roubado e estar sóbrio já seria o bastante. Nunca ouvi falar de ninguém que foi vítima de uma guia de IPVA não quitada ou de uma multa não paga.

Por isso é que essa operação lei seca não passa de um caça-níquel maquiado. Tanto que o governo se desespera com aplicativos que avisam aos motoristas onde está arapuca mais próxima, acusando quem foge dessas blitzes de incitar o "crime",quando na verdade tudo o que elas fazem é se proteger do maior assaltante de todos.
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