quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O melancólico fim do lulopetismo



Quando, em janeiro de 2013, 20 cidadãos - segundo a Folha, o que quer dizer que provavelmente eram uns 60 - se reuniram no vão do MASP para protestar contra o PT e pedir a investigação das supostas traficâncias de Lula, eles representaram o início de algo.

Foram alvo dos deboches e grosseria habituais da tropa de choque paga com dinheiro estatal e/ou sujo porque "cabiam numa Kombi", já que naquele tempo a presidente mais mentirosa e incompetente da história ainda nadava em popularidade e o embuste petista apenas começava a ser revelado.


Mas aqueles 20 - os 20 inesquecíveis heróis do MASP - se tornaram milhões e o PT virou esse gueto de patetas, psicopatas ideológicos, parasitas, indiciados, réus e gente que se esconde atrás da porta quando ouve uma sirene.

E agora, em agosto de 2015, quando 200 pelegos regados a churrasco de pelanca e cerveja quente se reuniram na frente do Instituto Lula para demonstrar "apoio" ao chefe, ao contrário dos 20 do MASP eles representaram o melancólico fim de algo.

Ônibus fretado, churraquinho, pagode, cerveja quente e a multidão reunida para defender uma curiosa democracia onde só o PT é legítimo era maior do que uma Kombi, mas caberia muito bem numa boa cela de cadeião.

Desorientados, os petistas buscam algo em que se agarrar para manter boquinhas e sinecuras que tomaram para si desde 2003. Não se pode mais acusar seus opositores de "sulistas", porque o Nordeste também os rejeita.

Não se pode acusar de "elite", porque até caixas de supermercado, estas testemunhas oculares da volta da inflação, passaram a detestar o partido da mentira. Não podem acusar a oposição de intolerante - ainda que tentem - porque é deles que partem ameaças de luta armada e guerra civil.

O que resta é uma farsa, como tudo o que sempre cercou o PT, que tenta recontar a história e fingir que o partido mais raivoso e golpista que jamais existiu - e o seu ex-dirigente, Eduardo Jorge, está aí para provar isso quando diz que "éramos a favor do impeachment de todo mundo" - é agora vítima de "golpe", quando nada do que a imensa multidão nas ruas pede está fora da Constituição.

Recorrem também à falácia de que urna absolve canalhas, mentirosos ou corruptos. Esquecem que a mesma legitimidade concedida pelo voto é perdida tanto na mentira quanto na atuação à margem da lei.

E nada disso cola. O cidadão ficou tão saturado das mentiras do PT, que hoje não acredita mais em petista nem quando pergunta as horas.

Sobra então o bom e velho papel de vítima. De repente o partido que apoia e é apoiado pelos delinquentes do MST, pelos arruaceiros do MTST e pelas milícias da CUT virou a "vítima" de delinquências, arruaças e terrorismo de milícias imaginárias.

Uma bomba jogada sabe-se lá por quem - e pode ter sido até por alguém a mando do partido - abre um buraco no portão do Instituto Lula pelo qual não passa um hamster. Logo depois alguém "invade" o diretório do partido e não leva nada.

Tudo para "provar" - que fique claro que são provas com tanta credibilidade quanto um programa eleitoral do João Santana - que o PT está sendo "perseguido". Logo eles, que sempre perseguiram e perseguem quem os contesta.

Resta a dúvida: qual vai ser o "ataque" que o PT sofrerá amanhã? A direita golpista vai atirar com pistolas d'água na sede do partido? Jogarão livros num evento da UNE? Carteiras de trabalho num congresso da CUT? Oferecerão emprego aos "militantes" do MST?

Pode ser também - e já não duvido de mais nada - que Lula ou Dilma inventem alguma doença. Mas isso não importa, pois sabemos que vem mais empulhação por aí.

O contraste entre as multidões em paz e as milícias cuspindo raiva entre bocadas em nacos de carne de segunda é a prova mais visível de que o PT acabou, mas tal como um zumbi de filme de terror vai ficar por aí até levar o golpe democrático de misericórdia.

Acabou, mas se quiser não precisa acabar, basta mudar de ramo. Pode virar uma empresa de dedetização que ao invés de exterminar, compra o apoio dos insetos.
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