sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A lava-jato lá e aqui


Caso você viva no Brasil e ainda não tenha se dado conta, vou te dar apenas um vislumbre da indigência ética e mental, da escassez de vergonha na cara e da carência de expectativa de dias menos boçais que o cerca.
Enquanto o STF a partir do petista Dias Toffoli e com a ajuda da companheirada de toga fatiava e melava a operação lava-jato, em mais uma tentativa de salvar o PT e seus líderes do mar de lama que os cerca, enquanto bastiões da moral e da ética - além, é claro, da defesa do interesse do pagador de impostos - como, por exemplo, Paulo Henrique Amorim, Rui Falcão, José "assessor com dólares na cueca" Guimarães, o advogado Kakay, blogueiros que sobrevivem com anúncios de estatais, entre outros, comemoravam a manobra do STF não como a comprovação de inocência, mas como obstáculo à investigação, enquanto essa parte conhecida e notória do país chafurdava no alívio, sabe o que acontecia no outro extremo do continente?

Os procuradores da força-tarefa da operação lava-jato eram agraciados com o prêmio anual da Global Investigations Review na categoria "órgão de persecução criminal ou membro do Ministério Público do ano", em Nova York, concorrendo nada menos do que com a Promotoria Pública de Nova York, o Departamento de Serviços Financeiros de Nova York, a Autoridade Norueguesa de Investigação e Promotoria de Crimes Financeiros e Ambientais, o Escritório de Fraudes Graves do Reino Unido e a Diretoria Nacional Anti-Corrupção da Romênia.
Digo isso e já me desminto do que disse no primeiro parágrafo. Você não é cercado apenas por indigência ética e mental, por escassez de vergonha na cara e por carência de expectativa, você também é cercado por gente que não desiste, mesmo que esteja nadando contra uma correnteza de esgoto político, infâmia, mentiras e de poder corrompido e usado para usurpar a fonte do verdadeiro poder, que é o cidadão.
Ainda existem procuradores no Brasil. Ainda existe um Sérgio Moro no Brasil. Tomara que eles, apesar de tudo, vençam, para que ainda exista algum Brasil que preste.
Parabéns, doutores.
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