terça-feira, 8 de setembro de 2015

República Federativa de Sucupira


O jornal O Globo publicou uma reportagem que denunciava a existência de várias "lava-jatinhos" nos estados brasileiros, com os mesmos esquemas de corrupção desbaratados no governo federal em andamento, só que em escala um pouco menor.

Quem poderia duvidar disso? Estados e municípios brasileiros são apenas as categorias de base do grande campeonato da pilhagem e desfaçatez que acontece em Brasília. Não que o nível intelectual e do debate em Brasília seja muito melhor, apenas os valores são mais escandalosos.

Basta assistir alguns minutos da TV Senado ou da TV Câmara para perceber que a política no Brasil geralmente é exercida por quem não tem talento ou competência para fazer mais nada além daquele teatro. O português de boteco cheio de anacolutos, plurais devorados, concordâncias estupradas e lógica mequetrefe provam que se Sócrates fosse brasileiro, os "reis filósofos" seriam no máximo uma banda de pagode.

E quem se assustar com a TV Senado ou Câmara convém passar longe de câmaras de vereadores de qualquer município, seja grande, médio, pequeno ou mesmo as capitais, porque o nível ali é ainda pior, como se isso fosse possível.

A política municipal brasileira é o retrato do país: mediocridade malandra por todos os lados. Não é de se espantar que não se realizem grandes debates e que parlamentares se tratem por "filho da puta" e "canalha" em pleno Congresso Nacional. Fazem isso porque aprendem desde cedo.

Contaram-me de um município - que obviamente não vou dizer o nome - que teve um prefeito que antes de ser alcaide tinha como ocupação conhecida ser ladrão de bombas d'água. Foi escolhido por um manda-chuva de ocasião como vice para "compor a chapa", o manda-chuva foi cassado e ele "herdou" a prefeitura.

Casos assim, de filhos, esposas e até mulheres sapiens eleitos com base na popularidade de líderes tão carismáticos quanto inescrupulosos existem às centenas. E assim a administração pública brasileira fica reduzida a um negócio de família ou a um acerto entre comparsas.

Prestem atenção em vários vereadores, deputados estaduais e prefeitos: não passam de energúmenos que só têm talento mesmo para roubar. Pode pesquisar, a maioria das câmaras dos municípios do Brasil é composta por vereadores com alcunhas tais como "Fulaninho do Gás", "Cicraninho da Sorveteria","Beltranão Bicheiro".

O Brasil é a República dos Sassás Mutemas, o bóia-fria personagem da TV que virou prefeito, só que os Sassás do Brasil real têm mais a ver com o Odorico Paraguaçu, outro prefeito criado pela TV, corrupto e mentiroso.

Não me arrisco a dizer qual é "a" solução para isso tudo, mas uma das soluções certamente passa pela melhoria do preparo intelectual e profissional de nossa classe política, que não pode continuar sendo o destino de muita gente que não deu pra mais nada na vida.

Elitismo? Mas elite é bom. Pelo menos seríamos roubados em português correto.
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