quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A esquerda portuguesa é tão mau-caráter quanto a esquerda em qualquer lugar


Brasil e Portugal são tão próximos e ao mesmo tempo distantes quanto as diferenças brutais do mesmo idioma falado aquém e além mar.
Por isso longe de mim querer me meter nos assuntos políticos das terras portuguesas, nenhum cidadão que tenha Dilma Rousseff como presidente pode dar conselhos ou repreender quem quer que seja, mas a essência da esquerda mundial - autoritária, mentirosa, mistificadora e golpista - merece, sim, ser exposta.
Imagine se o Brasil fosse uma República parlamentarista e a contagem das urnas desse ao PSDB 38% dos votos e o PT ficasse com 32%. Só que após a posse do governo que obteve a maioria, o PT fizesse uma coligação com o PSOL, a Rede e o PSTU, derrubasse o PSDB e reivindicasse o direito de formar um gabinete, porque "a maioria do povo decidiu".
Pois foi o que aconteceu em Portugal, onde o governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho foi derrubado por uma aliança dos socialistas com comunistas e demais setores da esquerda radical apenas 11 dias depois de tomar posse.
O legal e o moral são coisas diferentes. A Constituição do país permite tal manobra, ainda que em 40 anos de redemocratização ela nunca tenha ocorrido. O rompimento de uma prática não escrita que determinava que "aquele que ganha as eleições, governa" mostra mais sobre a moral da esquerda do que a análise puramente legal dos fatos pode indicar.
O fato, claro e inquestionável, é que os eleitores do país foram apresentados a uma série de opções e deram ao governo de centro-direita a maioria dos votos. Mas o que a esquerda argumenta é que se a coalizão pró-austeridade teve 38%, a esquerda somada obteve 51%, como se um eleitor do PT, um da Rede e um do PSTU votassem de acordo com os mesmos programas partidários.
E o mais grave é que a própria coalizão montada pela esquerda admite que sua união foi apenas para "derrubar" o governo, que a partir daí tudo será "negociado" ponto a ponto. Imaginem só os decibéis dessas reuniões.
Como se nota, é a Syrização de Portugal, que pode jogar quatro anos de sacrifícios pelo ralo. Até a reestatização de metrôs está sendo defendida pela nova coalizão.
Quatro partidos derrotados se uniram e formaram um bloco nominalmente majoritário, mas sem nenhum tipo de legitimidade moral. Dizer que o eleitor foi traído não é exagero, afinal, será que se novas eleições fossem convocadas ele referendaria o acordo de gabinete?
Mas o mais hilário foi ver as Lucianas Genros de Portugal dizendo que "agora sim, há democracia" ou que "a vontade do povo deve ser respeitada", isso depois de derrubarem um governo que obteve a maior votação nas urnas apenas 11 dias após a sua posse.
Ao romper um consenso de quatro décadas, a esquerda jogou o futuro político-eleitoral do país na incerteza. Daqui para frente quem garante que os resultados eleitorais importarão? Quem garante que, não interessa quem vença, acordos pós-eleitorais sobreponham-se à vontade do eleitor?
E se amanhã a centro-direita lançar mão do mesmo método? Será chamada de "golpista" pelos sequestradores das boas intenções, pelas eternas vítimas que sempre estão à esquerda?
O que fica provado é que, seja onde for, o golpismo e o autoritarismo estão gravados no DNA da esquerda. Se eles vencem - por bem ou por mal, jogando limpo ou "fazendo o diabo" - a democracia é linda e deve ser respeitada.
Por outro lado, se perdem, aí é outra história, nesse caso é preciso torcer e distorcer fatos e números até que estes digam o que eles querem ouvir.
Mas a melhor tradução para o que ocorreu em Portugal pode ser dada por uma manchete do jornal Correio da Manhã, onde se lia que o "Syriza estava muito satisfeito" com os acontecimentos lusitanos.
Pode acreditar: se o Syriza está feliz com qualquer coisa é porque o bom senso não tem razão nenhuma para sorrir.
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