segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Meio-ambiente não é assunto para chato ou hippie, mas para quem não deseja que um dia tenha que se andar por aí numa roupa de astronauta


Como todos já estão a par, a polícia da comoção declarou que você não pode se solidarizar com as vítimas dos atentados em Paris se não demonstrar antes o mesmo grau de indignação com o crime ambiental que ocorreu em Mariana, Minas Gerais.

O que se tem na verdade é a mesma récua "progressista" de sempre tentando dominar e distorcer a narrativa, pela pura e simples impossibilidade de se falar de Paris sem lembrar que a patrulha do bem defendia (e ainda defende) a entrada descontrolada de imigrantes na Europa, facilitando dessa forma o trabalho da Jihad Express.

Sobre a imigração em massa de muçulmanos para a Europa, sobre o caráter deletério dos ensinamentos praticados nessa religião, sobre o mito da "maioria pacífica" que curiosamente nunca dá as caras, sobre o anti-semitismo que se camufla sob a defesa de "palestinos", sobre o amor que a esquerda sente por terroristas e marginais, tudo isso eu já falei exaustivamente, o arquivo do meu blog está de prova.

Por isso é que prefiro - e não por pressão da patrulha do bem - falar sobre Mariana agora, porque ela mostra bem como o estado é falido, ineficiente, criminoso, negligente, inútil e caro.

Mas calma, você vai dizer, a Vale e a BHP não são empresas privadas? A Vale não foi vendida na "privataria" tucana? Como pode então a culpa ser do estado?

Eu levantei a tese, então eu explico, pode deixar.

É verdade que são duas empresas privadas, movidas pela busca do lucro e pelas regras do mercado. É verdade que podem ser tão corruptas e irresponsáveis quanto qualquer estatal. Mas somente uma coisa garante que uma empresa privada respeite as regras do jogo: a fiscalização séria, eficiente, implacável e a penalização dura, líquida e certa.

Não acredito que alguém seja energúmeno o bastante para pensar que se a Vale fosse estatal - imagine a Petrobras quando visualizar isso - faria o manejo de rejeitos de mineração, a contenção de danos, a recuperação do meio-ambiente e a indenização aos afetados de forma melhor que uma empresa privada possa fazer.

Primeiro porque os próprios afetados pagariam sua indenização, já que dinheiro de estatal sai do bolso do pagados de impostos mesmo, depois porque tudo que depende da viúva - e não seja superfaturamento e corrupção - geralmente sai atrasado e mal feito.

E aí chego na culpa estatal: quem fiscalizava essas mineradoras? Fácil: um órgão estatal com verba contingenciada, atuação acochambrada, repleto de barnabés que não devem resultados a ninguém, cheio de gente pronta para fazer vista grossa.

Não havia plano de evacuação, não havia plano de emergência, a lama tóxica (ou altamente densa) que se espalhou vai dizimar o ecossistema da região, a recuperação de 80% de tudo é praticamente inviável, a poluição vai afetar até a vida marinha na foz do rio Doce, a população vai sofrer, vidas se perderam, atividades econômicas foram inviabilizadas e o máximo que o governo consegue fazer é aplicar multas a posteriori.

Pena que dinheiro não compra um rio novo.

Uma fiscalização séria, bem feita, comprometida, evitaria o problema porque atuaria na prevenção, coisa que claramente não houve.

O estado deve ter o poder coercitivo, a força. Minha sugestão é: privatizem a fiscalização também, punam os corruptos onde eles estiverem, cobrem resultados e caso uma mineradora se negue a aplicar métodos modernos e seguros, caso negligencie os danos a que sujeita a região onde atua, que seja simplesmente fechada na marra e sua atividade entregue para quem faça isso direito.

A lei deve ser simples: você é bem vindo para investir, explorar, ganhar dinheiro e lucrar muito, mas caso coloque em risco o legado que será deixado para as crianças deste país, você vai perder tudo o que investiu, porque vamos tomar sua empresa e DAR para outro, sem que você receba nada por isso.

Pode me chamar de "estatófilo" se quiser, mas a destruição de tudo o que nos cerca é, sim, um limite razoável.

Meio-ambiente não é assunto para chato ou hippie, mas para quem não deseja que um dia tenha que se andar por aí numa roupa de astronauta.
0 Comentários