sábado, 12 de dezembro de 2015

A memória do brasileiro

O Rio Amazonas é considerado o maior rio do mundo. Sua extensão ganha do Nilo em mais ou menos 100 km e seu volume de água também supera o gigante faraônico lá do Egito.
Dizem que a sua força, que faz o espetáculo da pororoca e leva água doce quilômetros mar adentro, não vem de um declive acentuado, pelo contrário, o Amazonas é monótono e desce poucos metros por quilômetro.
A força de sua água vem da quantidade de água que vem sempre atrás, empurrando para frente aquele verdadeiro rio-mar, deixando tudo pra trás em velocidade incrível (eu já estive lá e posso atestar: é uma velocidade de dar medo).
Não. Este não é um texto sobre geografia, sobre a necessidade da preservação das águas e nem sobre a Marina Silva.
É sobre o Brasil mesmo e sobre a monótona capacidade que o país tem de substituir um escândalo pelo outro, empurrando para o oceano os "velhos" escândalos, no seu igualmente monótono trajeto descendente.
Alguém sabe, por acaso, que fim levou o lobista brasiliense que sustentava a amante do Renan Calheiros? E o propinoduto do Rodrigo Silveirinha? O escândalo dos bingos? Os bilhões torrados na ditadura companheira de Cuba? As licitações milionárias no DNIT? A empresa do Dirceu num paraíso fiscal? Mensaleiros presos recebendo 7 milhões em salário? Do petista suspeito de lavar dinheiro do PCC? O assessor estuprador e pedófilo da Gleisi Hoffmann? Da internet do palácio do planalto sendo usada para difamar adversários?
Muitos destes escândalos eu tenho certeza que você nem lembrava, assim como eu, que tive que pesquisar para recordar e achei mais de cem.
E o filho do Lula que depois que o pai entrou na presidência virou milionário? Posso gastar linhas e linhas aqui com o Sarney, Collor, Renan, com a política do ABC paulista que é igual a uma "Chicago Tupiniquim", o "Zé" Dirceu, Celso Pitta, Maluf, o "Caso Luiz Estevão", o juiz Lalau, Banco Santos, Mesbla, dólares na cueca, é tanto escândalo que tem até verbete na Wikipedia.
Dizem que o brasileiro tem "memória curta". O Lula mesmo disse uma vez que "tudo acaba caindo no esquecimento mais dia menos dia", mas não creio que seja isso.
Acho é que o brasileiro não tem "hardware" disponível no seu cérebro para memorizar tantos escândalos e basculheiras que seus mandatários proporcionam. Brasília é como a nascente de um rio Amazonas de chorume que continua enviando mais e mais escândalos sem parar, dando pau na máquina, enchendo o HD, queimando a memória.
No país que se orgulha de possuir o "maior rio do mundo", o "maior estádio do mundo", a "maior festa popular do mundo", podemos nos orgulhar de possuir a "maior fábrica de ladrões, corruptos e escândalos do mundo".
Não é o povo que tem memória curta, é Brasília e os demais palácios nada nobres que agem como se a paciência do pagador de impostos, esse esquecido, não tenha limite.
E até aqui, infelizmente, eles estiveram certos.
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