sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A vitória de Macri

A recente vitória de Maurício Macri na Argentina animou setores da sociedade cansados do clepto-populismo em todo o continente latino-americano e botou fogo nas hostes da esquerda bolivariana.
A direita está contra-atacando, dizem eles, como se Reagan, Thatcher, Stephen Harper e Benjamin Netanyahu estivessem batendo às nossas portas. Quem dera.
Mas a tal direita da qual eles tanto falam é composta por gente como Henrique Capriles, cujo partido se declara de "centro-esquerda" ou então Aécio Neves, que já disse uma vez que "para a direita não adianta me empurrar que eu não vou".
O próprio Macri, que se declara de centro-direita, tirou fotos com a estátua de Peron durante a última campanha eleitoral argentina e se comprometeu a não privatizar empresas tão úteis para o pagador de impostos quanto as Aerolíneas Argentinas, reestatizada durante o governo da família Kirchner.
No Brasil essa direita de fantasia atende pelo nome de partido da "social democracia" e apesar de ter feito um tímido programa de privatizações na década de 1990, defende coisas como cotas, manutenção de estatais consideradas "estratégicas" e políticas de transferência de renda.
Como se vê, a tal "direita" que avança é tão destra quanto o canhoto Diego Maradona, o craque que tem uma tatuagem do Che Guevara no braço.
A verdade é que setores da imprensa e formadores de opinião pegam quem atrapalha os planos hegemônicos de certa esquerda populista, histriônica e liberticida - o que não quer dizer absolutamente o mesmo que se opor às idéias de esquerda - e transformam em "direita".
Estabelece-se assim o duelo mencheviques versus bolcheviques que há décadas permeia a política do continente, sem oferecer, com raríssimas exceções, uma opção realmente à direita.
Pior para o continente que só tem dois lados esquerdos e vive por aí andando torto.
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