terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Blackfish

Há uns quatro anos eu sequer pararia para assistir a um documentário sobre baleias orcas. Há uns três eu até assistiria, mas acharia tudo um "mambo jambo" de eco chato, afinal, pensaria eu, o ser humano está neste planeta para dominar tudo. Tadinhas das orcas, mas e a fome ali em Nova Iguaçu?
Até que há uns dois anos duas ratinhas, pra ser mais exato, duas hamsters (que são parentes dos esquilos e não dos ratos) me salvaram desta imbecilidade que é estritamente humana, realmente sem par na natureza. Priscila e Lisa (esses eram os nomes delas) chegaram e ficaram comigo um pouco mais de um ano, mas mudaram a minha vida para sempre.
Animais são um presente de Deus para nós. Através deles aprendemos e podemos mostrar o que de melhor temos como humanos, ainda que muitos humanos façam questão de mostrar o seu pior.
Calhou de ser depois dessa minha sensibilização animal que eu assisti ao documentário "Blackfish" (Netflix),que conta a história da vida das baleias orcas do parque Sea World, nos EUA, local em que estive quando criança ainda nos anos 80.
E "vida" é correto e eufemístico ao mesmo tempo, porque ainda que sobrevivam, aqueles animais são mantidos no que mais próximo existe hoje em dia de uma escravidão.
Se há 30 anos os filhotes eram simplesmente raptados para longe de suas famílias e levados para os parques - a cena da captura, com direito a vocalizações de desespero e aos animais adultos observando caçadores levarem suas crias é de fazer chorar - hoje eles são inseminados artificialmente, com fêmeas ainda adolescentes parindo filhotes até de tios.
Se só isso já seria aterrorizador, a coisa piora. Biólogos afirmam, entre outras coisas, que esses animais nadam centenas de quilômetros por dia na natureza, mas no Sea World são mantidos em espaços que equivaleriam a um humano passar a vida numa banheira.
Se tornam psicóticos, dependentes, entediados, quebram dentes mordendo barras de ferro e concreto e ostentam a nadadeira dorsal caída, sinal da falta de estímulo natural, coisa que só ocorre em 1% dos animais no oceano.
Conto tudo isso porque, claro, senti necessidade de levar essa história a mais pessoas e porque considero incrível que ainda possa existir alguém que ache que um animal está neste planeta para a nossa diversão. Não estão. Baleias e golfinhos pertencem ao oceano, como leões e tigres pertencem à floresta.
Manter animais em cativeiro com o propósito de divertir pessoas é algo tão absurdo quanto as lutas de escravos gladiadores, e um dia as gerações futuras ainda se perguntarão como pudemos aceitar isto por tanto tempo.
A partir daí surgiram propostas de regulação estatal na forma de projetos de lei que proíbem a captura, o transporte e a inseminação desses animais em cativeiro com o propósito de divertir pessoas em parques.
Nada ainda está aprovado, mas pouco importa, porque as pessoas de bem e do bem ficaram tão indignadas com o aprisionamento de cetáceos nesse tipo de local, que um parque na Finlândia fechou depois de ver seu público despencar e o próprio Sea World não só viu seu faturamento descer morro abaixo, como suas ações se desvalorizaram, seu lucro caiu 84% em 2015 e empresas parceiras como a Mattel encerraram os contratos que mantinham com o parque, não querendo mais ser associadas à escravidão animal.
A lei do mercado pode sim, funcionar e a mão invisível pode (e espero eu, deve) dar um tapa no traseiro desses molestadores de animais.
Dê sua ajuda: não vá ao Sea World ou a qualquer parque do gênero, tente ensinar aos seus filhos valores melhores do que esses e negue seu dinheiro a quem não merece o seu respeito.
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