segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O atraso estatal

A burocracia e a máquina de atraso estatal não param nunca, conto isso porque tirei uma semana de férias, tentei ao máximo me afastar do que se passa na política, mas nem assim o Brasil deixou de me espantar.
Fui conhecer Tiradentes, na minha sempre querida Minas Gerais, e lá visitei Igrejas e prédios históricos belíssimos, sendo que um deles, o museu de Santana, me chamou a atenção pela conservação, qualidade das instalações e cuidado com o acervo.
Pode me chamar de vita-lata, mas na hora pensei: isso parece coisa de museu europeu.
Bom, não era, óbvio, europeu, mas era, claro, obra da iniciativa privada. Até aí nada demais, afinal 99% do que funciona no país só é assim apesar do estado, nunca por causa do estado.
Parei para elogiar o local para uma das funcionárias e ela me disse:
- Pois é, mas quase que isso não sai.
O motivo: foram tantos entraves, obstáculos e burocracia, que a doadora das 291 imagens de Santana lá expostas chegou a desistir do empreendimento.
Durante o processo a doadora das obras teve reduzida de 2,2 milhões para 1,5 milhões a autorização para captação de recursos para as obras no prédio via Lei Rouanet - o mesmo dispositivo que autorizou Maria Betânia a captar 1,3 milhões para um BLOG e 800 mil para a namorada do Chico Buarque produzir um CD - e precisou garantir ao Iphan que o projeto arquitetônico não seria descaracterizado.
Até ser aprovado, o projeto passou pela Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que são proprietárias do prédio da antiga cadeia onde o museu seria instalado, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em três instâncias (escritório técnico, superintendência e presidência), pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), teve que ser homologado pela consultoria jurídica do MinC e aprovado pelo Ministério da Cultura, além de apresentada comprovação da regularidade fiscal do proponente.
Finalmente, após um protesto dos moradores da cidade, o Ministério da Cultura liberou o projeto que em mais ou menos dois anos foi realizado, inaugurado e até hoje administrado pela iniciativa privada, deixando à disposição dos visitantes não só o acervo de imagens sacras, mas também a prisão onde Tiradentes ficou preso.
Como se vê, até quando o assunto é cadeia, o estado só presta se for para hospedar seus burocratas e corruptos ali.
0 Comentários