quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A incompetência sobre trilhos

Quando você e qualquer outro bípede com polegares opositores e postura ereta pensa em "operação especial", com certeza o que vem à mente é algo extraordinário que será executado para responder da melhor forma possível a uma situação especial.
Sendo menos prolixo: será alguma coisa que vai facilitar a sua vida, que vai agilizar algo, priorizar, enfim, ser melhor do que o normal.
O problema é que o metrô do Rio de Janeiro é uma associação da burrice operacional, com a ineficiência estatal e com o descaso em relação ao usuário.
Como não há concorrência - ônibus sem ar-condicionado numa cidade engarrafada que faz 50 graus na sombra não contam - eles literalmente cagam para o usuário, que neste caso está mais para vítima.
Por essas e outras é que este serviço, ao contrário de algumas paragens mais civilizadas, tem um traçado em formato de minhoca que não cobre várias áreas que poderia (e deveria cobrir) e nem é integrado aos aeroportos ou à rodoviária da cidade, além de só funcionar até as 00:00, quando os ônibus também passam a circular a cada quatro horas e meia mais ou menos.
A desculpa da concessionária é que precisam "limpar os trens e os trilhos". O problema é que Nova York, por exemplo, tem um metrô com 416 km de extensão e 469 estações funcionando 24 horas por dia, enquanto o ridículo trenzinho de parque mafuá do Rio tem 36 estações e 41km de extensão que necessitam de 6 horas por dia para serem "limpas".
Nem que desse para "comer no chão" ali valeria a pena.
Mas voltando ao início, uma "operação especial" para o metrô do Rio de Janeiro é, ao contrário do que alguém que não possui polegares opositores nos pés imaginaria, uma oportunidade para sacanear ainda mais o usuário-vítima.
Ao invés de abrir todas as estações o dia inteiro no carnaval ou réveillon, quando alguns malucos vão fazer turismo numa cidade sem estrutura nem para os seus moradores, eles FECHAM várias estações, oferecendo como opção que a pessoa vá a pé até outra a vários quarteirões dali.
É ou não é uma beleza?
Agora imagine se existisse um equivalente ao Uber sobre trilhos o que aconteceria?
Dica: muito provavelmente o metrô do Rio de Janeiro entraria na justiça tentando proibir e ameaçaria o concorrente de "porrada".
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