quarta-feira, 11 de maio de 2016

A história se escrevendo em nós


Em 1992 eu estava na Cinelândia acompanhando uma das manifestações pelo impeachment do presidente Collor, que estavam bem no início e não reuniam mais de algumas centenas de pessoas.
Fui lá nem tanto por convicção, mas para matar aula e ver as meninas, quando uma loirinha que eu estava olhando pegou duas latas de tinta guache que usava para pintar o rosto das pessoas, colocou os dedos na tinta verde e amarela e pintou a lente de uma câmera de TV que cobria o evento.
Essa imagem depois foi parar no Jornal Nacional e em vários clipes que mostravam os acontecimentos daquele ano.
Conto isso porque a história vai acontecendo na nossa frente sem nos darmos conta. Eu ali, vendo algo que pessoas que nasceram depois daquilo só vão conhecer de ler nos livros, sem nem me dar conta.
Enfim, digo isso e já preciso voltar ao agora ex-presidente e senador Collor, que fez hoje durante os debates da votação do impeachment de Dilma Rousseff um discurso que já pode ser considerado histórico.
Mostrando como o PT nada aprendeu e de nada se arrepende, Collor provou que teve um julgamento sumário, pagando sua defesa do próprio bolso e não usando a AGU para isso, enquanto Dilma arrasta o país para o abismo junto com ela em meses de procrastinações, chicanas e recursos.
Eu tinha acabado de sair do banho, já estava de saco cheio de tanta discurseira e me preparava para desligar a TV senado quando o presidente Renan Calheiros concedeu a palavra ao senador Collor.
E do mesmo jeito que ocorrera naquele dia na Cinelândia há quase 24 anos, a história aconteceu na minha frente. Na mesma hora escrevi um texto falando sobre a vantagem que saber se comunicar na língua portuguesa e ter algum pensamento lógico representa para um político, ainda mais na política do Brasil, essa floresta de pau seco.
Logo veio gente me interpelar achando um absurdo elogiar o Collor. Ora, bolas, prestem bem atenção. Não falo da conduta pessoal ou ética dele, falo do fato inapelável de que Fernando Collor deu uma aula de história, política e oratória hoje.
É o que falta naquele parlamento: gente que saiba se comunicar, defender idéias sem berrar ou cuspir e que saiba propor soluções. Política é pra ser a atividade MAIS NOBRE de um país, é coisa de ELITE, de gente PREPARADA, não dá para sair da boçalidade com deputados e senadores falando "impíxima", "gópi", "excrusive", "rezistro".
E não digo com isso que prefiro "corruptos que falem bonito" do que "gente honesta que fala como o povo", caso contrário o Lula, um ágrafo tatibitate orgulhoso da própria ignorância, seria o homem mais honesto do país.
Discordo do Collor? Sim, em 80% ou 90% dos assuntos. Votaria nele? Não. Continuo dizendo que ele fez o melhor discurso de todos em todo esse processo de impeachment de Dilma Rousseff? Sim, com toda a certeza.
É essa boçalidade que o PT enfiou pela goela do país abaixo, de que se alguém é adversário ou se discorda de nós não podemos reconhecer mérito algum, que nos trouxe até esse cenário desolador.
Assim que nos livrarmos do PT precisamos nos livrar disso também.
Chega.
0 Comentários