terça-feira, 14 de junho de 2016

A intolerância dos tolerantes

Uma coisa é a tolerância, outra coisa é a idéia de tolerância que o politicamente correto faz.
A palavra em si já diz muito: tolerar, a "capacidade de uma pessoa ou grupo social de aceitar outra pessoa ou grupo social" ou ainda "a atitude pessoal e comunitária de aceitar valores diferentes daqueles adotados pelo grupo que pertença originalmente".
E, convenhamos, aceitar é algo bem diferente de gostar. Mas vamos em frente.
O politicamente correto não pede apenas que você aceite, aliás, pede não, exige, porque eles nunca pedem nada, sempre exigem e de preferência aos berros. Eles não querem apenas que você deixe o outro em paz, mas te obrigar a GOSTAR dele.
Note, não falo em sair por aí batendo nas pessoas, ofendendo ou constrangendo, mas simplesmente reservando-se ao direito de não gostar.
De não gostar de gordos, de gays, de feministas, de comunistas, de gente tatuada, de brancos, de pretos, de índios, de argentinos ou mesmo de brasileiros.
Eu mesmo tenho tatuagens (pasme, um reaça tatuado) e acho que qualquer um tem todo o direito de não gostar e de não se relacionar comigo por isso. Pior para a pessoa que não vai me conhecer e talvez descobrir coisas que possa gostar em mim, que sou tão modesto quanto cheio de qualidades.
Só não admitiria ser impedido de entrar em algum lugar ou ser ofendido na rua por ter a pele rabiscada, pois a pessoa estaria saindo do espaço dela e invadindo o meu. Mas tirando isso, ela pode não querer falar comigo, não querer me deixar entrar na sua casa, não querer nem olhar para a minha cara.
Sinceramente não sei se EU quero conhecer quem não gosta de gente tatuada. Eles que se danem.
Por que será então que grupos militantes de todos os tipos não pensam o mesmo? Ora, porque essa gente é totalitária.
Não lhes basta poder celebrar uma união civil, não, eles querem também casar na igreja (de preferência aquelas que não os aceitam). A mulher se liberou como nunca nas últimas décadas, mas vemos a tal "Marcha das Vadias" lutar pela transformação da fêmea num macho mal acabado.
Repito: agredir ou violar os direitos constitucionais de outro não é só falta de educação, mas é crime. Deve ser combatido na forma da lei. Mas gostar ou não é uma questão pessoal que normas e leis só conseguem fazer com que o outro finja, se tanto, e se cale. E o nome disso é, sim, censura.
Qual seria o próximo passo? Regulamentar o amor? Uma cota obrigatória de carinho e afeto distribuída igualitariamente por todos os grupos representativos da sociedade?
Juro que se a pessoa não quiser me bater, me jogar ovos ou cuspir em cima, ela pode dizer que não gosta de mim na boa. Não preciso da aprovação dos outros, quero apenas que me respeitem.
Mas o politicamente correto e as "militâncias" espalhadas por aí não querem apenas respeito, querem invadir a sua mente e te obrigar a GOSTAR de algo ou alguém que eles acham que você deve gostar.
Não se pode ser mais autoritário do que isso.
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