quarta-feira, 22 de junho de 2016

Bolsonaro e o STF de Caras

Você certamente conhece Jair Bolsonaro.
Mas e quanto a Cordeiro Guerra, Moreira Alves, Cunha Peixoto, Soares Muñoz, Décio Miranda, Rafael Mayer, Clovis Ramalhete, Firmino Paz, Néri da Silveira, Alfredo Buzaid, Oscar Corrêa, Aldir Passarinho, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Octavio Gallotti, Carlos Madeira, Célio Borja?
Se conhece todos eles, você é um fenômeno. Se conhece alguns, uma pessoa antenada. Se conhece um ou dois, parabéns mesmo assim. Mas se não conhece nenhum, fique calmo, você é uma pessoa normalíssima.
Estes são nomes de antigos ministros do STF, de uma época em que o STF ainda mantinha certa fleuma e distanciamento do charco que é a política nacional. Um ministro falava nos autos, buscava estritamente interpretar a constituição e jamais tentava usurpar poderes do congresso fazendo ativismo judicial ou se comportando como se estivesse num reality show.
Você conhece o Bolsonaro porque este é o papel e o trabalho dele. Políticos precisam estar em evidência. E não conhece os antigos ministros porque este era o papel deles. Ministros do STF não são ex-BBBs, ou pelo menos não eram.
Mas este STF de hoje, repleto de jurados de desfile de bloco carnavalesco do interior, é a cara do PT. Todo mundo sabe quem são, o que fazem e até discutem seus nomes no botequim como se fosse a escalação da seleção brasileira.
E eles muitas vezes não parecem magistrados, mas militantes. Não parecem estar interessados na interpretação da constituição, mas na sua distorção a depender de quem seja beneficiado.
Ao tornar o deputado Bolsonaro réu num processo injusto e cafajeste, iniciado através de uma acusação falsa, o STF agiu como censor, manipulador da lei, abusou do poder e tornou-se passível da acusação de tentar alterar uma eleição na marra, já que o deputado é candidato presidencial e tem potencial de causar problemas ao establishment político nacional.
Um tribunal que passa vergonha na lava-jato, sendo tomado como antro de impunidade pela voz das ruas, deveria ter mais pejo ao tratar um sujeito que recebeu mais de 400 mil votos e que pode ser chamado de tudo, menos corrupto ou mentiroso, diferente de Dilma Rousseff, das pedaladas e do petrolão, protegida por procrastinações aceitas naquele mesmo tribunal.
Só que essa manobra grotesca pode ter o efeito inverso. Cada vez mais as pessoas perceberão a perseguição ideológica, a instrumentalização do STF, os dois pesos e duas medidas - tente processar um petista ali - e Bolsonaro pode ver seu nome assumir de vez proporções nacionais.
Mas isso não importa. O fato é que a lei e a justiça foram violentadas nessa decisão ridícula e imoral do STF. Nesse arremedo de processo.
E cada dia mais o que era para ser uma corte suprema se rebaixa ao nível de um corpo de jurados de programa de calouro.
É o STF do mundo de Caras. E dos caras de pau.
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