quinta-feira, 30 de junho de 2016

Bolsonaro, Maria do Rosário e o fascismo de verdade

Outro dia eu estava conversando e acabei falando um dos slogans do momento: palavras como "preconceito", "machismo", "racismo" ou "fascismo" não mereciam ser estupradas. 

Mais exploradas do que aposentado que é roubado por petista quanto pega empréstimo consignado, elas são usadas para se obter lucro indevido em qualquer tipo de debate.

O seu uso indiscriminado - tal qual acontece com antibióticos - criou uma nova cepa bactérias intelectuais resistentes ao pensamento.

De palavras pesadas e com forte cunho negativo, elas foram perdendo sua força, seu significado, de tanto serem pronunciadas para acusar, definir ou justificar tudo o que esteja em desacordo com o justiceiro social da vez.

Diga qualquer coisa que saia do bolo disforme e bege-acinzentado da opinião politicamente correta e fatalmente vai aparecer alguém te chamando de machistaracistafascistahomofóbicoetc.  Você só tem direito de discordar deles caso seja tão contundente quanto a frase "gosto de verde, mas respeito o amarelo e não deixo de apreciar o valor de todas as demais cores e suas matizes".

Ou seja, se for um isentão bunda mole.

E até isso já pode ser ousado demais, visto de você falou de "cores", o que pode ser confundido com "raças" - que aliás não existem, a não ser na hora de criar cotas raciais - e isso pode acabar em processo a menos que você escreva para o "blog da Dilma" e resolva chamar o Joaquim Barbosa de macaco, como aliás ocorreu.

Uma vez eu disse que acho o cinema nacional patrocinado pela lei Rouanet um amontoado de capítulos de novelas e séries da Globo em tamanho extra-large. Não demorou nem 5 minutos e apareceu um emasculado indignado: "americanizado, odiador da cultura nacional, aposto que apóia o massacre dos quilombolas".

Para não ofender os eternos ofendidos sua opinião precisa ser forrada por um colchão protetor que ajude com que ela não ofenda ninguém, quase como um resultado de exame de fezes. O outro caminho é concordar com eles, daí tá tudo liberado, até dizer que coxinha tem mais é que ser fuzilado.

Veja você que até dizer que alguém NÃO merece ser estuprada num passe de mágica virou "apologia ao estupro", porque a mulher em questão - uma baranga incomível - achou que aquilo era uma referência às suas características físicas e não ao seu direito de não ser mesmo estuprada.

Dependendo de quem diz, tudo ou nada pode ser ofensivo. Vide o "grelo duro", que virou elogio entre mulheres que consideram raspar o sovaco uma ofensa.

"Não curto cinema nacional". Preconceito! "Não gosto de samba". Racismo! "Estudante vai pra faculdade estudar e não fumar maconha e ocupar prédio". Fascista!. "Não acho a menor graça no Gregório Duvivier". Merdofóbico! E por aí vai.

Termina que um dos preconceitos que assumidamente eu passei a ter é contra quem usa esses argumentos típicos de quem faz vaquinha para ajudar o José Dirceu para vencer um debate ou ganhar biscoito de justiceiro social. Essa gente não pode perseverar, as pessoas não podem se dobrar ao seu padrão de julgamento e muito menos falar coisas esperando sua aprovação, porque se não forem da patota, jamais a terão.

Sim, porque o ideal da sociedade dos "tolerantes" é o dia em que a opinião pessoal das pessoas se resumir a dizer qual é o seu sabor preferido de sorvete.

Uma sociedade do sorvete na testa.
0 Comentários