sexta-feira, 24 de junho de 2016

(Quase) tudo o que você queria saber sobre o Brexit mas não te contaram


A imagem que traduz perfeitamente o susto que o eleitorado inglês deu nos "entendidos"

Só para informar quem anda muito ocupado ligando a TV apenas para ver programas de gente cozinhando ou gente arrumando a casa dos outros, o assunto mais importante do momento não é a prisão do marido da miss nariz de porco ou a reação pusilânime do PSDB inventando uma "imunidade parlamentar residencial" contra buscas e apreensões nas residências de corruptos e quadrilheiros, mas a saída do Reino Unido da Europa.
Como a política é uma "fdp", quando para a sua própria surpresa David Cameron conquistou sozinho a maioria no parlamento na eleição de 2015, no mesmo dia ele marcou um encontro com a derrota.
Eu explico: durante anos ele enrolou os militantes e políticos do seu partido que eram contra a presença do Reino Unido na UE. Tomava uma medida de perfumaria aqui, fazia um discurso valentão ali, mas a rigor se valia do governo de coalizão para ficar na Europa, coisa que ele nunca considerou um problema muito grande.
Só que com a maioria conquistada suas desculpas acabaram e o referendo teve que ser convocado.
Diferente do referendo sobre a independência da Escócia em 2014, quando ele calculou o risco, apostou alto e saiu vencedor, com os escoceses escolhendo continuar no Reino Unido, nesse referendo do "Brexit" (palavra criada com a junção de "Britain" e "exit") sua única aposta de risco foi ter se envolvido tanto na campanha do "remain" ("permanecer", em inglês).
Esta derrota é uma derrota sua e tanto colocou sua carreira política numa situação delicada que ele já anunciou que deixará o poder.
Feito o histórico, vamos à parte divertida, afinal, é muito mais legal acompanhar uma escolha entre ficar ou sair da Europa do que uma eleição entre Eduardo Paes e Marcelo Freixo ou entre Celso Russomano e Fernando Haddad.
Resumidamente esse referendo foi como se o brasileiro escolhesse se quer ou não continuar enchendo o rabo da Venezuela ou da Bolívia de dinheiro.
Sim, porque teve gente que respondeu o "remain" ou "leave" lendo a seguinte pergunta: você quer continuar sustentando gregos e hospedando sírios? Porque a principal escolha feita ali foi entre a política de imigração forçada da UE ou algo diferente do "abra as pernas, venham todos".
A resposta foi não, o que também não deixa de ser um aviso à UE: pare de pensar que é a União Soviética e atenda as necessidades dos pagadores de impostos e não de um globalismo fajuto, caso contrário não tem nem um muro para retardar sua queda.
A dúvida agora é como os britânicos vão se virar sem romenos ou albaneses para fazer seu café ou aparar o green do golfe. Mas mesmo assim a Europa levou um tabefe na cara daqueles de se ouvir do lado de fora do bar.
Grande parte dessa derrota pode ser atribuída ao tom da campanha pela permanência, taxando todos que eram contra como "racistas, xenófobos, elitistas, egoístas, etc.". Globalistas e multiculturalistas acham que podem insultar seu caminho para as vitórias eleitorais.
Isso talvez funcione em grotões subdesenvolvidos como o Brasil, mas na Inglaterra apelar para culpas ou "fobias" não funcionou.
E por falar em Brasil, imagine só se o David Cameron não renunciaria caso milhões de ingleses fossem às ruas num domingo pedir sua saída.
Vê se aprende, Dilma.
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