sexta-feira, 8 de julho de 2016

E se eu fosse o Eduardo Cunha?

E se eu fosse o Eduardo Cunha?

Bom, pra começar não me envolveria no tipo de coisa da qual ele é acusado. Mas como bem diz a frase "da qual ele é acusado", precisamos de um processo julgado para afirmar que as acusações são verdadeiras.

O ponto não é esse.

O ponto é: o que poderia fazer um presidente da câmara acuado por denúncias de um procurador geral cada vez mais apetralhado, pela acusação de ter mentido em uma CPI e por denúncias que envolveram ele e sua família?

É quase certo que Cunha tentou algum tipo de barganha com o impeachment, mas é certo que o impeachment jamais aconteceria sem ele. Ou a redução da maioridade ou uma atuação da câmara que, depois de décadas, trouxe aquela casa de volta ao centro da política brasileira.

A câmara dos deputados de Eduardo Cunha trabalhou muito, trabalhou rápido e mostrou resultado que há muito não víamos.

Mas isso sozinho não o inocenta de nada. Ele precisará se defender como puder e este é um trabalho que cabe a ele. Só acho que ele mesmo poderia ter facilitado o seu trabalho. 

Como?

Simples: no dia seguinte da aprovação do processo de impeachment na câmara ele deveria ir até o senado, entregar o cartapácio e em seguida renunciar para "se defender do que é acusado e não deixar a casa parar no meio de uma batalha jurídica", como realmente acabou acontecendo.

Seu legado seria o afastamento da pior presidente da história do Brasil e ele sairia, como dizem por aí, "por cima". Retornaria aos bastidores e com certeza hoje não estaria na situação dificílima que sua insistência em permanecer nos holofotes o levou.

Provavelmente ainda seria um dos deputados mais influentes da câmara, elegeria seu sucessor e seria lembrado como o cara que abriu as portas para afastar Dilma e não o cara que foi afastado pelo STF.

Sua renúncia hoje, meses depois de quando deveria ter acontecido, pode aliviar um pouco a pressão, mas deixa de ter o sentido político e histórico que teria caso tivesse acontecido já no dia 18 de abril.

Conhecido durante um tempo como o "Frank Underwood" brasileiro, faltou à Cunha o timing para tomar uma decisão que acabou sendo obrigado a tomar depois, mas que poderia ser nos seus termos há três meses.

Too little too late. A não ser que Cunha Underwood seja mesmo um jogador que supere qualquer análise mais ortodoxa.
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