segunda-feira, 4 de julho de 2016

Sérgio Moro e a moral brasileira


Se eu fosse ter um filho hoje, colocaria seu nome de Fernando, isso porque não acho Sérgio bonito. E faria isso em homenagem a Sérgio Fernando Moro, um sujeito que, junto com uns outros poucos brasileiros de bem, está mudando os cornos feios e embolorados deste país.
Longe de mim fazer cultos à personalidade, detesto isso e não o faria com ninguém, mas creio que seria um bom exemplo quando contasse ao moleque porque esse é o nome dele.
E assim digo porque já tinha idéia da magnitude do que ocorre na República de Curitiba, mas a leitura do verdadeiro thriller de Vladimir Netto, "Lava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil', me fez ter certeza absoluta de duas coisas: que somos um povo de bundas-moles governado por bandidos psicopatas e que sem a lava-jato jamais poderíamos ter sequer a esperança de nos livrar deles.

Talvez não tivéssemos nem a idéia do tipo de facínora ordinário que faz parte da nata política e econômica do Brasil.

O roubo do seu dinheiro através da corrupção nas famigeradas e anacrônicas estatais serviu para tudo. Para enriquecer vagabundos que são autoridades e filhos de autoridades, para sustentar peruas que gastam milhares de dólares em compras no exterior, para engordar panças com picanhas e cascatas de camarão, comprar charutos, bebidas, financiar o sub-jornalismo bajulatório e gente decadente que vive de elogiar bandidos, pagar despesas de amantes, carrões, coberturas e até desfiles de escola de samba.
Seu dinheiro serviu para tudo, menos para te servir.
E a cada chicana, a cada sabotagem vinda de tribunais superiores, a cada mentira, a cada ameaça, a cada pressão política, o livro mostra que lá estava Sérgio Moro, preparado para frustrar os planos do lixo moral do país e para jogar luz sobre as catacumbas da corrupção brasileira.
Suas perguntas certeiras, seu rigor técnico, sua inteligência estratégica e uma equipe de delegados, procuradores e policiais que justamente por não terem preço, valem muito, proporcionaram ao Brasil uma rara oportunidade de vislumbrar o conteúdo do intestino grosso que é Brasília e suas entrâncias e reentrâncias país afora.
Gente que jamais imaginou sequer passar pela porta de uma delegacia a não ser em alguma inauguração de reforma superfaturada está há tempos atrás das grades. Milhões surrupiados por gente com a ética de uma barata foram congelados e recuperados. Empresas outrora intocáveis estão descendo de sua empáfia e tentando prestar contas ao país que assaltaram.
Ainda falta muito, muita gente ainda precisa ir presa e pagar pelo que fez, mas já é um começo. E que começo.
Fora que hoje cada brasileiro tem uma forma bem simples de avaliar se alguém presta ou se é um carrapato moral que não merece a convivência com pessoas de bem: basta perguntar ao interlocutor o que ele acha do juiz Sérgio Moro.
Dependendo da resposta, esconda a carteira e se afaste o mais rapidamente possível.
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