domingo, 28 de agosto de 2016

Tchau, querida

Já disse uma vez e repito: Dilma Rousseff é um zero à esquerda que foi inoculada na presidência por um tiranete despreparado para lidar com o poder e com a popularidade transitória.
Foi um capricho alheio, um instrumento de massagem no ego para um homúnculo que até há pouco tempo nutria sonhos de poder absoluto.
Passado este período e devidamente esquecidas as saudações à mandioca e o cachorro atrás - piadas que pouco a pouco perderão a graça e serão apenas um souvenir dos tempos bizarros que vivemos - Dilma será esquecida num verbete qualquer da história.
Seu governo que nunca houve, seus votos que nunca teve, sua capacidade gerencial que nunca existiu, sua coragem que nunca deu as caras, tudo isso dará a medida do seu tamanho na história: nenhum.
Nem mesmo lembrada por sofrer um impeachment inédito será, porque até nisso chegou atrasada.
Quando listarem os presidentes do país - e mais ainda aqueles presidentes do período pós-redemocratização - os livros haverão de listar Collor, Itamar, FHC, Lula, um vazio simbólico de irrelevância total seguido Michel Temer e de mais quem o suceder.
A partir de amanhã o Brasil volta a contar a sua história, que há cinco anos e meio está suspensa por um vácuo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Não só podemos como fomos melhores

Teve gente estranhando porque eu elogiei o resultado final da olimpíada. Uns disseram que era fuga da realidade, outros que me rendi ao ufanismo farofeiro e teve até petista, veja que coisa, dizendo que "queimei a língua", como se não fossem eles a razão da coisa não ter dado certo por completo.
Sim, porque não retiro nada do que disse antes. O Rio é uma cidade favelizada, caótica, suja e sem estrutura para dar um mínimo de conforto ao cidadão.
As lagoas da Barra que não estão mortas, estão podres, a enseada de Botafogo é um esgoto a céu aberto, os rios são valões, as praias perigosas e cheias de lixo.

A opção pelo BRT e não por um transporte de massa e a ida do metrô até a Barra ao invés de outros bairros onde seria mais necessário foi um erro e os ônibus continuam péssimos.
Fora as calçadas mal cuidadas, desordem urbana, custo de vida caro para qualidade de vida baixa, ou seja, o Rio de Janeiro de sempre.
Só que por alguma mágica olímpica e operações de maquiagem de última hora, a cidade conseguiu superar, ainda que momentaneamente, alguns dos seus problemas.
Onde moro vi calçadas e canteiros sendo reparados, ruas varridas e policiadas, coleta de lixo regular.
Metrô, trens e ônibus diminuíram seus intervalos, deixando de circular como latas de sardinha, locais de competição ficaram prontos e se mantiveram limpos, parecia que eu tinha viajado para outra cidade a passeio.
Isso não quer dizer que virei entusiasta desse negócio de cidade maravilhosa ou que passei a enxergar o Brasil como um gigante prestes a se levantar.
Nossos problemas estão aí e o noticiário já do dia seguinte ao encerramento da olimpíada não nos deixa esquecer.
Mas o que se provou é que interrompendo o despejo de esgoto - ainda que através do fechamento de comportas e acúmulo do material, mas imagine se tudo fosse coletado e tratado - o mar e as lagoas se limpam em poucos dias. É que cuidando do mobiliário urbano e conservando as ruas, a cidade fica menos inóspita.
Provou-se que, cobrando, as concessionárias de transporte público podem oferecer um serviço menos pior.
A lição que fica é que não somos incapazes, não é nosso destino inapelável viver mal e não existe problema sem solução.
O que necessitamos é de gente que tenha por todos nós o mesmo respeito e preocupação que tiveram com as delegações olímpicas e turistas, e nos tratem o tempo todo como se precisassem tanto da nossa aprovação quanto precisaram da aprovação do resto do mundo.
Mudar de idéia não é vergonha, vergonha é confundir teimosia com coerência. É isso que faz até hoje existir gente que defende o PT ou que acha que voto nulo é protesto, por exemplo.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Rio 2016, ufa, deu tudo certo

Eu, que sou um ranzinza, preciso dizer que a olimpíada do Rio se saiu muito bem.
Não se transforma uma cidade favelizada, suja e caótica como a capital fluminense numa Estocolmo em sete anos, mas quem esperava um fiasco de proporções épicas se frustrou.
O metrô continua ruim, o BRT talvez não funcione como relógio suíço depois que os competidores e turistas se forem, a segurança não será igual, uma coisa ou outra pode ficar abandonada e descuidada, mas durante duas semanas vivemos um sonho.
Queria morar na olimpíada, onde os canteiros são bem cuidados, a grama aparada, as ruas varridas, os ônibus chegam na hora, os muros estão pintados e o metrô se não funciona 24 horas, como deveria, pelo menos fica aberto até 1 da manhã.
Duro vai ser voltar a morar no Rio de Janeiro de sempre.
De todo jeito, a cerimônia de abertura - simples, singela e belíssima - honrou o país e seu povo perante o mundo. Não podíamos - e seria injusto fazê-lo - esperar um espetáculo milionário como o chinês ou inglês em 2008 e 2012 respectivamente, mas tirando a Regina Casé e a cultura do pobrismo, aqueles índios trançando um imenso painel, o Santos Dumont voando sobre o estádio e irritando seus detratores e a pira olímpica, seguramente a mais bonita de todos os tempos, deixaram o brasileiro se orgulhar só um pouquinho de si.
E já era tempo.
O povo, o cidadão, merecia isso. A classe política e governante brasileira, em todos os níveis da administração e em todos os três poderes é composta por cafajestes irrecuperáveis, corruptos incorrigíveis e cretinos fundamentais, mas o povo, esse que sofre no dia a dia o que os cafajestes, corruptos e cretinos fazem, esse não merecia passar vergonha.
E não passou. O povo brasileiro, que bancou a festa, mostrou que vale muito mais do que parece. As conquistas, as derrotas, as alegrias e frustrações no campo desportivo ficam pequenas perto desse fato: mesmo do seu jeito e com as suas características, o Brasil não precisa perder sempre.
Que além da conta para pagar, fique também essa lição.

Japão à brasileira

Uma cidade escolhida para sediar os jogos olímpicos projetou um novo estádio que tinha um design esquisito e custaria muito dinheiro. Depois de uma confusão enorme resolveu abandonar aquele projeto e fazer um concurso para escolher outro.
O vencedor mostrava toda a beleza e peculiaridade da arquitetura local, integração com a natureza, sustentabilidade e custo menor.
Feito em grande parte de madeira e vidro, esse design logo foi acusado de plagiar o anterior, mas depois explicaram que seria uma "homenagem". Tudo bem.
Só que depois de tudo acertado e até a data de inauguração ser marcada para dali a três anos, alguns problemas surgiram.
O primeiro é que o local onde o estádio será construído continua apenas como um terreno. As obras ainda não começaram e a imprensa estrangeira já começa a tocar suas trombetas do desastre: melhor correr, senão não vai ficar pronto.
O outro problema é um pouquinho mais difícil de resolver e também meio bizarro: ao projetar o novo estádio, o arquiteto "esqueceu" de reservar um local para a pira olímpica, aquela que precisa ser acesa na cerimônia de abertura e ficar à vista durante os jogos.
A equipe responsável pelo estádio declarou que "pediram um estádio olímpico, não especificaram nada sobre uma pira".
Uma solução seria colocar sobre a cobertura, mas aí tem aquele problema do estádio ser feito de madeira e do fato de madeira e fogo não se darem muito bem quando se encontram.
A organização então está discutindo se coloca a pira fora do estádio, mas dentro do complexo esportivo do qual este faz parte, ou se coloca em algum outro local da cidade.
Em todo caso eles disseram que têm tempo para pensar nisso e que a pira e seu acendimento sempre têm um "elemento surpresa" e então é melhor que todos esperem até lá.
Devem ter mandado uns brasileiros para trabalhar na Tóquio 2020 ou então a gambiarra virou produto de exportação.
Até daqui quatro anos, Japão! E boa sorte, porque parece que vocês também vão precisar.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Grandeza olímpica

A família do medalhista de ouro e técnico de canoagem alemão, Stefan Henze, morto num acidente de carro na Barra da Tijuca durante a Rio 2016, resolveu que sua vida cheia de vitórias e propósitos não deveria terminar por completo abruptamente aos 35 anos.
Superando um momento que só eles sabem o quanto é doloroso, resolveram doar seus órgãos para que, através de outras pessoas que ganharão uma nova vida, Stefan continue vivendo e vencendo também neste mundo.
A importância da doação de órgãos é conhecida mas não repetida como deveria. Todos os dias, seja por ineficiência do sistema ou por desconhecimento das famílias, milhares de órgãos são desperdiçados, encerrando histórias debaixo da terra quando poderiam construir novas histórias sobre ela.
A beleza da vida é por demais preciosa para que deixemos que se perca. Dar vida para que outros tenham vida é exatamente o que fez Nosso Salvador Jesus Cristo, se dando por inteiro. O que podemos fazer por nossos irmãos é nos doar em parte, quando já nem precisamos mais destas partes de matéria terrena para seguir nossa jornada.
É continuarmos vivos nos outros, é presentear um irmão com uma nova vida, onde não há mais limitação ou espera, apenas plenitude.
E assim, em partes, voltaremos a ser inteiros, completos, através da bênção da qual aceitamos ser portadores e passamos adiante.
À sua família meus mais sinceros sentimentos e um muito obrigado. Que Stefan esteja nos braços de Deus e que Ele os console e os abençoe para sempre.

sábado, 13 de agosto de 2016

Pequenas notas sobre a primeira semana olímpica

A cerimônia de abertura, a polêmica sobre quem inventou o avião, o mimimi da Joanna Maranhão, a falta de medalhas do Brasil, a vaia no Temer, aplausos para o Phelps e mais um pouco. Assim foi a primeira semana olímpica.
- Pode ter algum Phelps, Nadal ou uma Emese Szász por aí no Brasil, mas todos eles estão aprendendo "gênero" e bateção de lata nas escolas.
- A natação brasileira só está tão bem quanto o IDH do país. Parem de reclamar.
- Vem aí uma boa oportunidade para um padre grego atrapalhar um corredor irlandês na maratona da olimpíada do Brasil.
- Em relação à olimpíada no Rio estou me sentindo aquele pai que pagou a festa de formatura, a filha tomou porre e rolou briga dos convidados.
- Andar na rua em Ricardo de Albuquerque sem ter seus pertences arrancados à força. Quero morar na olimpíada.
- É sim, DCE, foi a maconha que fez do Phelps um campeão. É por isso que só sai medalha de ouro olímpica das federais.
- 3 locais para praticar esgrima no RJ. 7 para tiro com arco. 2.000 capoeira e bater lata. Pena que os dois últimos não dão medalha olímpica.
- Acho que devem liberar os cartazes "fora Temer" nas olimpíadas, até porque não tem jeito melhor de você identificar os babacas do que esse.
- Mano, esqueça se são militares ou não, o Brasil tem TRÊS medalhas. Só o Phelps tem quatro.
- Antes o brasileiro reclamava que a cerveja da festa estava quente ou as empadinhas frias, agora é todo mundo só no "não vi negros ali".
- Sabe por que o Brasil não tá ganhando mais nada? Pra evitar o monte de argumento tosco e textão bisonho igual teve depois do ouro da judoca.
- A mulher ganha medalha no judô, mas pros justiceiros sociais dane-se o judô, a medalha é no concurso de melanina, de opção sexual, de faixa de renda, etc.
- Aproveita que a olimpíada é no Rio e olhe em volta dos locais de competição. Você queria mesmo que esse mar de favelas ganhasse muito ouro?
- Só pra não perder o hábito desde o dia da abertura: brasileiro pode ser uma merda no quadro de medalhas, mas inventou o avião.
- A família tradicional aí se fodendo para pagar as contas e vocês do DCE achando que ela está preocupada se a judoca lambe um carpete ou não.
- Ufa, sorte que o Brasil é uma merda na olimpíada, senão já imaginou a quantidade de textão tipo prestar-continência-negra-lésbica por hora?
- Entra lá na piscina e faz melhor do que ela.
- Se é assim quero ver ela comer uma caixa de Bis mais rápido do que eu.
- Como não dá pra imitar o Michael Phelps ou a Katinka Hosszu, a Joanna Maranhão tá treinando forte pra ser a Luciana Genro ou o Jean Wyllys.
- A Joanna Maranhão deveria ter direito a 5 minutos de atenção para opinar sobre politica por cada medalha olímpica que ela já ganhou.
- Resolvido: os irmãos Wright inventaram o primeiro avião e Santos Dumont inventou o primeiro avião que efetivamente decolava e voava.
- Os caras levaram um homem à lua, mas ficam de chororô pra dois soltadores de pipa serem reconhecidos como inventores do avião.
- A mulher perde, é chamada de perdedora e diz que vai processar os outros. Fechem o Brasil.
- Ruas policiadas, bem varridas, calçadas consertadas, postes todos com luz, metrô mais vazio. Eu quero morar numa olimpíada.
- Um senador acabou de soltar um "cidadões" na tribuna e vocês aí achando que o maior problema do país é não ganhar medalha de ouro.
- Salva-vidas numa piscina com NADADORES OLÍMPICOS. Essa é a imagem da inutilidade e do peso-morto do estado no Brasil.
- É fácil saber: o país ganha muitas medalhas? É um projeto, são também do país. Só uma ou outra? É esforço individual INDEPENDENTE do país.
- Feminismo, prestar continência pro hino, cartazinho fora Temer em assento marcado de 500 paus. Caralho, como falta louça lavada no Brasil.
- "Problematizar" cansativamente uma medalha de ouro. Esse é o nível de imbecilidade a que chegou o debate político no Brasil.
- Não sou ufanista, mas essa pira olímpica é uma das mais lindas que já vi.
- Feminista: mulheres medalhistas não subiram no pódio mostrando peitos na rua ou deixando cabelo no sovaco, logo não tem nada a ver contigo.
- Narração da natação: largam, Brasil em 3o, vira e o Brasil briga com o 4o, lá vem o Brasil em 4o, agora 5o, cai pra 6o, RECUPERA O QUINTO!
- O quadro de medalhas colocou o Brasil na friendzone.
- Parque olímpico: o local realmente é digno do país que idolatra Niemeyer, ou seja, um cimentão quente e sem sombra.
- Mas pra quê tanto soldado na rua? Parece ditadura.
- Porque ninguém pega bandido e terrorista com maconha e textão, seu imbecil.
- Humanas: tem algo errado nesse parque olímpico, limpeza, soldados, famílias, cadê o lixo, cheiro de mijo e a calçada ensebada pra eu sentar?
- Só de alguém levar uma vaiazinha em abertura de evento e a internet não ser invadida por textões sobre machismo e misoginia já vale ter trocado o canhão pelo Temer.
- Petista comemorando uma tímida vaia no Temer depois do Lula em 2007 e da Dilma em 2014 parece torcedor comemorando o 1 do 7x1.
- O Temer declarou uma olimpíada aberta, o Lula não conseguiu fazer isso nem num pan. Conviva com isso, petralhada.
- Por falar nisso, a petralhada passou tanto tempo puxando o saco de governante que desaprendeu a vaiar.
- A delegação da Venezuela só aparenta estar acima do peso, é tudo efeito dos rolos de papel higiênico que subtraíram do estádio.
- Já a delegação da Coréia do Norte devia desfilar montada nos unicórnios que eles juram que existem no país.
- Resumo da parte histórica da cerimônia: o Brasil foi formado por índios, negros e orientais, brancos chegaram ontem numa pokebola.
- Quer saber como era viver na União Soviética? Vá em algum evento no parque olímpico. Tem fila pra urinar e depois outra pra se sacudir.
- Uma vez dentro, o parque olímpico é bem bonito, mas as filas para comprar tudo e os preços surreais atrapalham. A estrutura em si é ótima.
- Essa com o Paulinho da Viola cantando tinha que ser tornada a versão oficial do hino.
- A olimpíada está razoável até aqui, mas não percam de foco que o país continua uma bosta, OK?

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O país de todos os esportes



Em tempo de olimpíada é sempre assim: o brasileiro começa achando uma coisa e vai se frustrando ao ver seus atletas ficando para trás e países bem menores na frente do quadro de medalhas.
Como sempre digo, medalha em olimpíada não é um fato isolado, que dependa de sorte ou torcida, mas é uma consequência não só de um projeto esportivo, como de um projeto de país.
E é fácil distinguir. Se um país ganha muitas medalhas, em vários esportes diferentes, pode ter certeza de que há um projeto ali. Se ganha apenas uma ou outra, ou então todas num mesmo esporte, fique sabendo que aquilo tem muito mais a ver com um esforço individual e particular do que com o país em si.
Geralmente no segundo caso as vitórias ocorrem APESAR do país, APESAR do governo, APESAR da falta de apoio e não por causa de nada disso.
Outro dia assisti um vídeo de uns meninos numa favela fazendo piruetas e dando cambalhotas dignas de um ginasta no solo. Quantos outros por aí se destacam em esportes praticamente desconhecidos e abandonam por conta da falta de apoio e estrutura?
No Brasil, país grande e atrasado, sofremos por dois males: o desperdício de verba, que poderia ajudar a formar talentos variados, e a monocultura esportiva.
Se um garoto não é "bom de bola" a ponto de passar pela peneira de um clube de futebol ou então dá sorte de ser acolhido num desses projetos de vôlei, judô ou atletismo, seu destino será fora dos desportos.
Dessa forma, imagine você quantos talentos perdemos por aí, como potenciais campeões mundiais e olímpicos de esgrima, golfe, tênis, tiro com arco, levantamento de peso, etc., simplesmente porque muitos deles nem sabem que possuem esse talento? Porque fora um ou outro projeto pontual e heróico na sua resistência ao abandono, nada se faz.
Se perdêssemos menos tempo roubando recursos ou debatendo inutilidades como "luta de classes", as escolas públicas mesmo poderiam servir como caça-talentos para essas pessoas, dando o primeiro apoio, guiando e depois enviando os melhores para centros de excelência.
Mas no país do 7x1, parece que estamos condenados a praticar, valorizar e torcer sempre por um único esporte, o mesmo que, de uns tempos para cá, está assumindo o mesmo tamanho e importância que o resto do país tem fora de campo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O realismo da esquerda do jardim de infância

A esquerda estado-dependente resolveu transferir o "ocupa-MinC" da sede do ministério no centro para o prédio abandonado da UFRJ onde funcionava o Canecão.
Como se sabe o MinC, a Ancine e outros cabides estatais eram aqueles locais para onde militantes sem colocação no mercado de trabalho e estudantes profissionais que fogem do mundo real iam se encostar e artistas viciados em incentivo fiscal iam mamar, tanto na era PT como até antes dela.
E com isso o local volta a ter algum uso, ainda que péssimo uso.
O Canecão era uma casa de shows que funcionava perfeitamente bem. Pagava um aluguel irrisório? Beleza, que se reajustasse ou então trocasse o locatário.
Mas não, esses mesmos palermas que estão lá acampados e que já acamparam no local outras vezes exigiram que o local fosse estatizado para que a UFRJ utilizasse para "promover a arte" sem "visar lucro".
Como não existe nada que se sustente sem dar lucro ou sem mamar nas tetas do estado, o local ficou abandonado e terminou virando um terreno baldio e desde 2010 está sem promover shows, "artes" ou sequer oficina de miçanga.
Mas tudo bem, afinal, não está privatizado, o que seria um horror, imagina, funcionando, gerando renda e empregos. Melhor assim, um prédio com as instalações degradadas pelo abandono e que pode ser "invadido" pela playboyzada de esquerda sempre que eles têm alguma reivindicação muito realista para fazer, como a volta da Dilma ou bebedouros de Nutella nos prédios da faculdade.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Phelps x Serena x a idiotice

Michael Phelps, maior medalhista da história das olimpíadas com 22 medalhas sendo que 18 de ouro, vai se aposentar este ano e como homenagem foi escolhido para levar a bandeira dos Estados Unidos na cerimônia de abertura da Rio 2016.
Cliquei na hashtag do Twitter para ler a notícia e ver os comentários e um dos primeiros que me deparei foi este:
"Então o Michael Phelps vai levar a bandeira para os Estados Unidos e não Serena Williams? Quer dizer, ela é apenas a mulher negra atleta mais popular, mas okay".
Isso mesmo, ao invés de pelo menos respeitar o maior campeão de todos que está se aposentando os justiceiros sociais e coitadistas já apareceram para exigir aquela cota marota, afinal hoje em dia desde um ministério até uma porta-bandeira olímpica precisa ter representado ali "o negro", "a mulher", "o sei lá o que que virou a nova vaca sagrada".
Imagine o dilema na equipe da Finlândia ou do Japão? "Não temos um negro para colocar em exposição, como fazemos? Vão nos xingar de racistas".
Porque, claro, na cabeça "do bem" dos justiceiros sociais quem não trata negros, mulheres, gays, etc. como estandartes políticos é que é o racista.
E está proibido dizer que o mundo ficou chato, entendeu? Apenas sorria.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Reforma da previdência pra quem?

O novo governo, que é mil vezes melhor do que o anterior mas não é o que eu escolhi, colocou como uma de suas prioridades fazer uma reforma na previdência.
Certamente existem várias coisas erradas na deficitária e falimentar previdência social brasileira, mas o que mais se fala a respeito é sobre a idade de aposentadoria. O cidadão se aposenta muito cedo.
Se vão querer aumentar para 60, 65, 70 ou 75 anos pouco me importa, a pergunta que eu faço é: o que farão sobre aposentadorias na justiça, no legislativo e no setor público? O que farão com gente que se aposenta aos 50 anos com vencimentos integrais enquanto o cidadão comum "contribui" durante 30 a 35 anos e recebe uma merreca que não dá nem para comprar os remédios da sua velhice direito?
O erro, a imoralidade, a canalhice, a cafajestagem começa ao chamarem aposentadoria de "benefício". Benefício é o cacete, aquilo não é dado de presente, é pago - e muito bem pago - pelo sujeito a vida toda.
De antemão digo que a população deve repudiar isso ou pelo menos só concordar com mudanças nas regras caso o tempo de aposentadoria de funcionários públicos, juízes, deputados, governadores, prefeitos e o escambau a quatro forem aumentados para, no mínimo, uns 70 anos.
Quem passa a vida de férias não precisa se aposentar tão cedo.
Outra coisa são os valores. Um juiz ou promotor se aposentar ganhando 20 mil por mês enquanto um advogado que paga seu carnê do INSS sai dali no final de 35 anos com 2 mil? Pode parar. Sei que são regimes diferentes, que são fundos de pensão diferentes, mas essa disparidade é imoral do mesmo jeito.
Depois precisamos eliminar todos os sanguessugas e vagabundos inúteis que infestam as repartições da previdência, afinal, quanto do tal rombo é culpa da tiazinha que ganha 500 contos por mês e quanto é do barnabé que tira 5 pau e aparece duas vezes por semana na repartição?
Porque nem em laboratório da Fiocruz tem tanto parasita quanto na previdência.
Depois disso, e só depois, é que será justo, moral e decente discutir qualquer mudança de regra para o cidadão comum.